COM O TEMPO UMA IMPRENSA CÍNICA, MERCENÁRIA, DEMAGÓGICA E CORRUPTA, FORMARÁ UM PÚBLICO TÃO VIL COMO ELA MESMO

Joseph Pulitzer

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Humildade sorôdia ou esvaziamento de ideias ?

Orlando Lopes é diretor-geral do Hospital Nacional Simão Mendes, da Guiné-Bissau, e está no Centro Hospitalar do Médio Tejo numa missão para conhecer a realidade e dinâmica dos diferentes serviços do CHMT e gestão hospitalar. 


“Aceitei o desafio para gerir o Hospital Simão Mendes, há três meses, e esta missão vai ajudar muito para melhorar o serviço no Hospital Nacional Simão Mendes. Só hoje já aprendi muita coisa. Estou muito satisfeito. Sei que tenho um desafio enorme, enormíssimo mesmo, que é fazer algo para melhorar os cuidados na prestação de serviços, reorganizar os serviços no Hospital, e nestas poucas horas que estou aqui já aprendi imenso, disse Orlando Lopes.

O diretor-geral do Hospital Nacional Simão Mendes espera “ter muita informação e muitos documentos para poder adaptar à minha realidade. Obviamente que nem tudo pode ser replicado no meu Hospital, mas vou tentar adequar, na medida do possível, os ensinamentos que levar daqui. Estou muito contente porque aqui vou aprender muitas coisas para aplicar na Guiné-Bissau”. Para isso Orlando Lopes vai “visitar todos os serviços, falar com todos os diretores de serviço, saber como funcionam e ver toda a parte administrativa. Vim com vontade de aprender”.

O Conselho de Administração do CHMT manifestou “toda a disponibilidade para acolher o diretor-geral do Hospital Nacional Simão Mendes, numa parceria com o Instituto de Higiene e Medicina Tropical e da Fundação Calouste Gulbenkian… que financiou a deslocação de Orlando Lopes, tendo consciência da oportunidade que é para este responsável da saúde Guineense o contacto com outras realidades e no que isso possa representar para a melhoria dos procedimentos de organização hospitalar no hospital que é referencia para a população Guineense, que é o Simão Mendes.

A escolha do CHMT deve-se, também, ao facto do presidente do Conselho de Administração, Carlos Andrade, conhecer bem a realidade hospitalar do PALOP’s tendo estado já por diversas vezes no próprio Hospital Nacional Simão Mendes. Desta forma procura-se assim potenciar o máximo aproveitamento da missão de aprofundamento de conhecimento do diretor-geral do Hospital Nacional Simão Mendes.



"Flagrante tentativa de silenciar o povo guineense e amputar o direito à liberdade de manifestação pacifica"

O Governo da Guiné-Bissau proibiu manifestações nas imediações do Palácio da Presidência contra o chefe de Estado, José Mário Vaz.


Um comunicado do Ministério da Administração Territorial indica que não deverão ser feitas manifestações ou marchas na Praça dos Heróis Nacionais e no largo da Câmara Municipal de Bissau, que ficam perto do Palácio da Presidência.
Com tal, as autoridades dizem que querem garantir a liberdade de circulação aos cidadãos que não fazem parte de manifestações que têm sido organizadas pelo Movimento de Cidadãos Conscientes e Inconformados contra a crise política que afecta o país nos últimos 15 meses.
Aquele movimento pede a renúncia do Presidente José Mário Vaz ou a dissolução do Parlamento e realização de novas eleições.

Manifestação em Bissau, na sequência da instabilidade política. Foto enviada via WhatsApp por Amadu Buaro





Em comunicado, a Liga Guineense dos Direitos Humanos, não tem dúvidas que a decisão governamental expressa uma flagrante tentativa de silenciar o povo guineense e amputar o direito à liberdade de manifestação pacifica.
A organização lembra que o exercício da liberdade de manifestação, não está condicionado à autorização das autoridades publicas, muito menos do Governo. Daí que, na perspectiva da Liga, o despacho do Ministro da Administração Territorial, Sola Kilim, entidade que tutela a Camara Municipal de Bissau, “alem de ser ilegal, é desprovido de quaisquer fundamentos, porquanto as manifestações, até aqui realizadas, decorreram de forma pacifica e dentro da normalidade”. 

Face à medida do Governo, a Liga Guineense dos Direitos Humanos, condena, desde logo, qualquer tentativa de proibição da liberdade de manifestação na Guiné-Bissau, ao mesmo tempo que “exorta o Ministério da Administração Territorial e do Interior para absterem-se dos actos capazes de agudizar ainda mais, a sensível e complexa crise política”.
À opinião pública nacional e internacional, a organização alerta sobre “as consequências que esta medida representa para o actual período porque passa o país”. 

Uma outra organização que se juntou às vozes de repúdio às decisões do poder instituído, é a Rede Nacional das Associações Juvenis da Guiné-Bissau, uma organização que junta diferentes associações dos jovens guineenses, legalmente instituídos.
Para a RENAJ, a medida do Governo, em proibir as manifestações, “é uma violação dos direitos mais elementares sobre os quais assentam os fundamentos do Estado de Direito e Democrático”.
A Rede Nacional das Associações Juvenis exige, por isso, ao Ministério da Administração Territorial, o respeito pelo primado da lei, instando, assim, ao Governo a renovação a sua decisão. 

De referir, entretanto, que o Movimento dos Cidadãos Conscientes e Inconformados, que está à frente das manifestações, anunciou que não vai desarmar-se, mesmo com a medida anunciada pelo Governo em proibir as manifestações. E, confirmando esta posição, o Movimento convocou, para esta Sexta-feira, 18 de Novembro, mais uma manifestação de rua para exigir a dissolução do parlamento ou a renúncia do próprio Presidente da República




«Temas Contemporâneos», com um ensaio fotográfico sobre a escravatura de crianças no Senegal e na G-Bissau

O Fórum da Maia recebe mais uma vez a exposição anual do concurso internacional de fotografia, sendo que as imagens premiadas podem ser vistas até 8 de dezembro. A entrada é gratuita.


Entre as obras presentes estará o trabalho do australiano Warren Richardson, vencedor do primeiro prémio de 2016 com uma imagem que retrata dois refugiados a passar um bebé através de uma vedação de arame farpado, na fronteira entre a Sérvia e a Hungria. Em agosto de 2015, o fotojornalista australiano acompanhou um grupo de 200 refugiados durante cinco horas para captar a imagem que intitulou de «Hope For a New Life».

Também a edição deste ano conta com um trabalho nacional do fotógrafo português Mário Cruz (da agência Lusa), vencedor na categoria «Temas Contemporâneos», com um ensaio fotográfico sobre a escravatura de crianças no Senegal e na Guiné- Bissau. Mário Cruz junta-se agora à lista de outros quatro profissionais portugueses distinguidos pelo World Press Photo, na qual constam Eduardo Gageiro, Carlos Guarita, Miguel Barreira e Daniel Rodrigues.

À 59ª edição do concurso World Press Photo concorreram quase seis mil fotógrafos de 128 países, num total de mais de 82 mil imagens.




terça-feira, 15 de novembro de 2016

Em quantos anos de independência ??!!


G-Bissau revela mediocridade da classe política

A Liga Guineense dos Direitos Humanos diz ser de "uma mediocridade espantosa" o nível da classe política do país perante a crise que assola as instituições da República bloqueadas devido aos conflitos pessoais.


A posição foi transmitida hoje por Augusto da Silva, presidente da organização, no ato de apresentação do relatório sobre a situação dos direitos humanos na Guiné-Bissau no período de 2013 a 2015.
Para a Liga, as desavenças pessoais entre os responsáveis políticos guineenses conduziriam ao bloqueio das instituições, nomeadamente o Parlamento e o Governo, levando a que o plano de ação e o Orçamento Geral do Estado para este ano não fossem aprovados. 

O país deixou de executar políticas públicas e consequentemente tem deixado a população sem serviços básicos ao nível da saúde, educação ou acesso à justiça, acrescentou.
"Assistimos a uma crise política que foi forjada gratuitamente pela ganância da nossa classe política. A crise está a corroer as bases da nossa coesão, da nossa independência e o fundamento do nosso Estado", observou Augusto da Silva.
O presidente da Liga diz ser urgente que a classe política ponha termo à crise antes que a situação descambe e traga consequências imprevisíveis para o país.
Augusto da Silva antevê "dias difíceis" para a Guiné-Bissau se persistirem as ondas de greves na função pública, as manifestações de rua por parte dos jovens, enquanto perdura o impasse entre a classe política na busca de um consenso para a saída da crise. 

O dirigente da Liga exorta a classe política e o Presidente guineense, José Mário Vaz, em particular, no sentido de respeitarem na íntegra os compromissos assumidos perante os chefes do Estado de África Ocidental como "a derradeira oportunidade" patrocinada pela comunidade internacional em relação à Guiné-Bissau. 

Os compromissos em causa visam a formação de um Governo inclusivo que possa gerir o país até às eleições legislativas marcadas para 2018.
 


Interposta ditadura suave....

O Governo da Guiné-Bissau proibiu manifestações junto ao Palácio da Presidência contra o chefe de Estado, José Mário Vaz, lê-se num comunicado.


Um comunicado assinado pelo ministro da Administração Territorial, Sola Nquilin, dá conta da proibição de qualquer manifestação ou marcha na Praça dos Heróis Nacionais e no largo da Câmara Municipal de Bissau, ambos os locais nas imediações do Palácio da Presidência.
O ministro faz saber que a medida visa garantir liberdade de circulação aos cidadãos que não adiram às manifestações que têm sido organizadas pelo Movimento de Cidadãos Conscientes e Inconformados contra a crise política que afeta o país há 15 meses.
O movimento, constituído na sua maioria por jovens, pretende que o Presidente guineense renuncie ao seu mandato por ser, alegadamente, o responsável pela crise política.
A proibição das manifestações só poderá ser anulada perante um despacho do próprio ministro da Administração Territorial, lê-se no comunicado.
Lesmes Monteiro, porta-voz do movimento, disse, esta terça-feira, à Lusa que a polícia dispersou uma vigília que o grupo tentou realizar na segunda-feira à noite na Praça dos Heróis Nacionais, tendo sido agredidos alguns participantes na manifestação.
O dirigente adiantou que os protestos vão continuar, devendo ser organizados noutros lugares de Bissau.



O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, demitiu, nesta terça-feira, o Governo do primeiro-ministro Baciro Djá por este não ter conseguido aprovar no Parlamento o seu programa de ação e o Orçamento Geral do Estado.
No decreto presidencial lido na rádio nacional guineense, José Mário Vaz justificou a sua decisão com o respeito pelos preceitos constitucionais que mandam que o Governo seja demitido caso não possua os dois instrumentos de governação.
O chefe do Estado guineense considerou ainda que o Governo de Baciro Djá não foi capaz de ultrapassar o bloqueio que se assiste no Parlamento onde os dois principais partidos, PAIGC e PRS, não se entendem há mais de um ano.

Foram proibidas quaisquer manifestações junto ao Palácio da Presidência, lê-se num comunicado, conhecido nesta terça-feira.




segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Ditadura de um estado falhado...

JOMAV, acaba de concluir mais um curso de "Ditador Suave" num estado de acéfalos, preparando-se para proporcionar novo número de "Circo Politico" ao povo.



sábado, 22 de outubro de 2016

“O Sindicalismo e o Trabalho em África”

Colóquio Internacional “O Sindicalismo e o Trabalho em África” - 29 a 31 de Março de 2017


O CEAUP e a Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional organizam um colóquio internacional sobre o sindicalismo e o trabalho em África, na FLUP. 

Está a decorrer a chamada para propostas de painéis e comunicações até 31 de dezembro de 2016.

Para saber mais sobre o evento: goo.gl/KqW2uJ
Consulte informações sobre a chamada de comunicações: goo.gl/bcSi5j




sexta-feira, 21 de outubro de 2016

ONU na Guiné-Bissau

 

https://www.facebook.com/ONUGuineBissau/

 









Bastaaaa !!!

 Deixem-nos viver em Paz na nossa terra!


Fui ao aeroporto internacional Osvaldo Vieira fazer a cobertura jornalística da vinda do jornalista português da RTP, José Rodrigues dos Santos, que participa na próxima semana no 5° encontro das Entidades Reguladoras da Comunicação Social dos Países e Territórios de língua oficial portuguesa, e deparei com uma situação triste e de total desespero que me deixou sem forças nesta sexta-feira.
Esperava tudo, menos encontrar um companheiro de luta de malas feitas para virar costas à sua terra natal de forma indesejável. 

Um amigo de apenas 27 anos de idade, quadro formado no Brasil, não posso revelar a sua identidade porque assim o quis, decidiu pegar no seu diploma de mestrado e nos parcos meios para deixar tudo para trás e dar um novo impulso à sua vida.
Extremamente aborrecido pela atual situação de um país literalmente parado, de falta de emprego, de falta quase total de dinâmica na função pública, e onde só se fala da política partidária; de um país de salários baixíssimos, com o agravante de não serem pagos a tempo - o rapaz decidiu partir para bem longe em busca de melhores condições de vida, ainda que o seu coração permaneça em Bissau, como sublinhou. 

Com lágrimas nos olhos, disse estar ciente de que as coisas na Europa "também não estão fáceis", mas na Guiné-Bissau ficara "estagnado", daí a sua preferência em continuar os estudos académicos ou fazer outras atividades "onde der".
Chegara à conclusão que "a crise política vigente não ficará resolvida com a nomeação de um novo Primeiro-ministro do tal governo de consenso e inclusivo.
" O rapaz salienta que "a legislatura está perdida e vai-se perder muitos anos nesta brincadeira". 

Lembra que a idade não pára e não perdoa no tempo. Nota que pelas reações dos atores políticos qualquer figura escolhida pelo Presidente da República será ponto de partida para uma nova fase da crise, que, na sua opinião, poderá ser "mais morosa e perigosa ainda".
Durante a conversa, reparei que tinha voltado com enorme vontade de servir o seu país, colaborando em vários projectos ligados à sua área, acabando por apanhar uma grande deceção pelo bloqueio a que foi sujeito.
Deixou bem claro que irá bloquear-me no Facebook porque não quer saber nada, "absolutamente nada", da política nacional. Eu apenas pude responder: "Entendo, meu amigo de peito!"
Há dias, escrevi a história do nosso colega Júlio Pereira que é espelho de vários jovens quadros guineenses.

Há muitos jovens quadros guineenses neste dilema de viver num mundo de incertezas; uns que foram começar do zero no estrangeiro; outros que querem ir, mas não têm como, outros que não têm condições de partir com a mulher e os filhos, outros que lutam dia e noite (correm atrás dos políticos) para entrar no sistema, e ainda os que estão no sistema, mas que constituem uma minoria insignificante para mudar o rumo dos acontecimentos na Guiné-Bissau.
Trocamos impressões sobre a esperança num futuro melhor para a Guiné-Bissau como forma de encorajar outros jovens a persistirem, apesar dos sinais adversos evidenciados pela classe política, mas mutuamente admitimos que é extraordinariamente difícil lidar com a política vigente, sobretudo quando são muito jovens e estão, como se diz, na "primavera da vida". 

A expressão pode ser popular, mas revela a sabedoria dos que olhando para os jovens vêem neles apenas talentos prontos a florir e a multiplicarem-se. Ou seja, não esperam que rapazes e raparigas tão novos sujeitem os seus talentos a uma lenta asfixia e muito menos que os enterrem em lugar algum, dizia um colunista português.
Quando foi chamado para se dirigir à sala de embarque, o jovem murmurou no meu ouvido: "Esperar pela resolução desta crise é como esperar que o mar corra para os rios". 

A história do meu amigo contrasta com os apelos feitos pelas autoridades guineenses aos emigrantes para voltarem ao país. Para virem fazer o quê?
Haverá emprego digno?
Se os que estão cá não têm onde é que estão os empregos para os reforços?
Por exemplo para um médico que receba um salário de 4 milhões de francos CFA na Europa, só por ser guineense deve regressar a Bissau para vir receber 150 mil?
E trabalhar com equipamentos da década de 90?
Para um jornalista que ganhe 650 mil francos CFA na Europa, só por ser guineense deverá regressar ao país para vir trabalhar na Rádio Nacional e ter um salário de 60 mil?
Fica aqui a pergunta aos dirigentes políticos: porque é que não convidam os quadros guineenses doutorados nas Ciências Políticas a vir ajudar a endireitar as vossas políticas e consequentemente os vossos partidos? 

A sua Excelência Sr. Presidente da República, Dr. José Mário Vaz, Chefe da Nação, Comandante-em-chefe e Presidente de todos nós, não estou contra as suas constantes deslocações ao estrangeiro, mas gostaríamos que visitasse também com mais frequência as zonas rurais onde a pobreza está acentuada e ou bairros periféricos de Bissau para conversar, sem intermediários, diretamente com o povo. Ali terá conselhos dos anciões, Régulos, jovens, mulheres e até crianças sobre o quão é importante reunir consensos à volta da causa nacional. Sua Excelência estaria a conversar com a Sociedade Civil e não a Organização da sociedade civil. 

Lembro que depois do golpe militar de Abril de 2012, o antigo representante do Secretário-geral da ONU para Guiné-Bissau, José Ramos Horta, quebrava os protocolos, saía do escritório e descia do carro blindado para romper as ruas das zonas mais pobres para constatar a real dificuldade que povo atravessa no dia-a-dia.
PAIGC e PRS porque é que não vão às vossas bases ouvir do militante anónimo o que pensa do caminho que estão a seguir enquanto dois dos maiores partidos políticos guineenses?
Ou reunirem os órgãos do vosso partido, que no fundo acaba por ser a mesma gente da direção, o que significa ouvir as bases?
Uma coisa é constatar no terreno e outra, bem diferente, é ouvir através de um terceiro que muita das vezes frequenta mais a sede do partido do que estar a par do que acontece nas bases dos partidos.
Quando forem nomeados novos membros do governo gostaria que dedicassem horas e horas em reuniões, negociações e auscultações sobre os temas mais importantes de desenvolvimento. 

Que tenham a coragem de apresentar e discutir propostas de soluções para a Saúde, Educação, Ambiente, Emprego Jovem, a implementação da democracia, entre vários outros temas. Se for preciso que sejam discussões promovidas e transportadas desde Bissau a Conacri, passando por Bruxelas até Washington.
Chega de governar a brincar com a vida de uma geração!
Chega de pôr interesses superiores da nação em último plano em detrimento dos interesses particulares ou de grupos!
Chega de ostentar luxos; chega de ostentar carros de alta cilindrada nas degradadas redes de estradas!
Chega de serem ricos num instante, aos olhos dos pobres da nação mais pobre do mundo!
Chega de dividir o povo para se servir do Estado!
Chega de sucessivas greves nas escolas públicas quando os vossos filhos estudam na escola Portuguesa!
Deixem-nos desfrutar desta linda fatia do Planeta Terra, que se chama Guiné-Bissau, nossa Terra, nossa Amada!
Chega de tanta vergonha e humilhação perante outros países e povos!
Deixem-nos viver na nossa terra!

E façam o favor de rasgar aquele acordo de Conacri porque se nem serve a vocês, que fará para o povo…

Respeitem o povo guineense, Senhores Homens do Estado.
Parem de nos matar já!

Braima Darame, 21.10.2016

 (in: Rádio Jovem)



domingo, 2 de outubro de 2016

Presidente promove militares

A medida pretende "contribuir para a elevação da dignidade no exercício dos cargos perante os seus homólogos estrangeiros" sem implicar qualquer "agravamento das despesas públicas", refere a resolução 1/2016 do órgão liderado pelo Presidente da República, José Mário Vaz.


Pela história do país, Biague Na Ntan é o segundo Chefe militar a beneficiar da mais alta promoção, a General da Divisão, depois de João Bernardo Vieira, antigo Presidente do Conselho de Estado no regime mono partidário.
A promoção do Chefe do Estado-maior General das Forças Armadas, de tenente-general para a General de Quatro Estrelas, aconteceu no último Conselho Superior da Defesa Nacional.

Na resolução, assinada pelo Presidente da República, lê-se que o reajuste não acarreta despesas ao Estado e visa contribuir para a elevação da dignidade do exercício dos cargos perante os homólogos estrangeiros.
Ao todo são cinco promoções; o Chefe do Estado-maior da Armada, o Comodoro Carlos Alberto Mandughal foi promovido a Contra Almirante e o seu adjunto Armando Siga saiu de capitão-de-fragata para Comodoro.

No exército, o vice-chefe do Estado-maior, o coronel Steve Lassana Massaly é agora Brigadeiro-general.
O coronel Albertino António Cuma, Comissário político do Estado Maior General das Forças Armadas, foi promovido a Brigadeiro-general.

Estas promoções acontecem numa altura que em que o país, afectado pela grave crise político-institucional, procura implementar as reformas nos sectores da Defesa e Segurança.
 
 
 

Derigente da Associação "SUL" de Aveiro acusada de peculato

O Tribunal de Aveiro no passado dia 30, condenou a três anos de prisão, com pena suspensa, o ex-secretário geral da associação de cooperação para o desenvolvimento "SUL", por se ter apropriado indevidamente de dinheiro e bens da instituição.


Durante a leitura do acórdão, a juíza presidente referiu que a suspensão da pena fica condicionada ao pagamento de 13.470 euros à associação sediada em Aveiro, no prazo de três anos.

O arguido, que foi julgado na ausência por se encontrar a residir no estrangeiro, estava acusado de três crimes de peculato, mas foi condenado apenas por um único.
O coletivo de juízes decidiu absolver o arguido de um crime de fraude na obtenção de subsídio e declarou extinto o procedimento criminal relativamente a três crimes de falsificação e um de desvio de subvenção, por entender que os mesmos prescreveram.

O tribunal julgou ainda "totalmente procedente" o pedido de indemnização civil deduzido pela associação "SUL" e, em consequência, o arguido foi condenado a pagar a quantia de 27 mil euros.
O caso envolve ainda a ex-companheira do arguido, em relação à qual o tribunal ordenou a separação dos processos, por se encontrar em parte incerta.

A investigação partiu de uma queixa formalizada em 2000 pelos órgãos sociais daquela Organização Não Governamental (ONG) para o Desenvolvimento contra a conduta do seu então secretário-geral e da sua companheira, que fazia parte da comissão executiva.

Segundo a acusação do Ministério Público (MP), entre agosto de 1999 e fevereiro de 2000, os dois arguidos ter-se-ão apropriado de quase 20 mil euros de subsídios obtidos pela associação.
A maior parte desta verba diz respeito a apoios concedidos pelo Instituto Português da Juventude, no âmbito de projetos a que a associação se tinha candidatado.

De acordo com os investigadores, os arguidos utilizaram este dinheiro em proveito próprio, adquirindo bens e serviços, ou fazendo suas determinadas quantias em numerário as quais utilizaram no uso corrente da sua vida e bem assim na satisfação das suas obrigações quotidianas.
O MP diz ainda que os arguidos abriram uma conta em nome da instituição, que apenas poderia ser movimenta pelos mesmos, e promoveram campanhas de recolha de fundos, sem conhecimento dos órgãos sociais, chegando a forjar uma declaração do então ministro da administração pública e do trabalho de São Tome e Príncipe.

Constituída em 1990, a associação "SUL" realizou várias ações de apoio ao povo de Timor-Leste e de São Tomé e Príncipe e, atualmente, não tem nenhuma atividade.



quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Março 2016 ONG portuguesa de ajuda humanitária pondera deixar Guiné-Bissau devido à burocracia

Natália Rocha, diretora da "Viver 100 Fronteiras", ONG que já enviou 44 contentores de ajuda humanitária para a Guiné-Bissau, num valor estimado em 52 milhões de euros, indicou serem agora necessárias pelo menos sete autorizações para retirar a carga da alfândega.


Uma organização não-governamental portuguesa que opera desde 2009 na Guiné-Bissau está a ponderar abandonar as operações nesse país devido à "cada vez maior burocracia" para desalfandegar a ajuda humanitária, disse este domingo à agência Lusa a responsável da ONG.

Com um contentor "preso" há três meses com vários produtos perecíveis - queimou uma tonelada de medicamentos que entretanto ficaram fora de prazo após demasiado tempo na alfândega - Natália Rocha explicou serem necessárias autorizações dos ministérios do Plano, Economia e Finanças, Saúde, Educação e Solidariedade Social, da Secretaria de Estado dos Transportes e Comunicações e da Alfândega.

"Há outras ONG que retiram a carga dos contentores com rapidez. Há aqui filhos e enteados. Recuso-me a dar dinheiro para desbloquear os sucessivos impedimentos. É ajuda humanitária a um país e parece que não a querem receber", explicou, indignada.
Por outro lado, os pedidos de autorização nos diversos departamentos governamentais estão sucessivamente a "desaparecer misteriosamente", pelo que a missão médica realizada em fevereiro, com a deslocação de pessoal médico e paramédico a Bissau para montar o "contentor-hospital", acabou sem efeitos práticos por a carga, na Alfândega desde dezembro, não ter sido desbloqueada.


O mesmo se passa com o "contentor-escola", que se encontra nas mesmas circunstâncias, inviabilizando a missão prevista para abril.
"Não se pode trabalhar assim. Não se consegue planear nada", acrescentou.
Natália Rocha sublinhou que estes dois projetos deverão ser "desviados" para Dacar, no vizinho Senegal, onde os contactos nesse sentido estão já bem avançados.

Paralelamente, a Viver 100 Fronteiras está também já a "desviar" projetos para São Tomé e Príncipe e para Cabo Verde, onde a ajuda humanitária "é bem tratada e bem recebida".

Criada em 2009, a Viver 100 Fronteiras tem sede em Fiães, no concelho de Santa Maria da Feira (norte de Portugal), desenvolve desde então operações de cariz humanitário com vários hospitais e escolas guineenses.

A organização não-governamental portuguesa tem trabalhado com os hospitais e centros de saúde de Bor, Comura, Simão Mendes (os três em Bissau), Mansoa (centro), Bafatá, Geba e Gabu (leste) e Catió (sul), bem como com orfanatos e associações de deficientes e de cegos e ainda com instituições muçulmanas.



Missão humanitária à G-Bissau parte de Pombal com material médico

Sete viaturas e duas ambulâncias vão partir no dia 04 de outubro do Castelo de Pombal rumo à Guiné-Bissau, numa missão humanitária que pretende levar material médico, roupa e livros a instituições não-governamentais daquele país pelo terceiro ano.


Para Nuno Rebocho, o coordenador, é importante entregar todo o material em mãos, porque "as pessoas questionam-se, muitas vezes, se o que oferecem chega realmente a quem precisa". Estando lá, a entrega está garantida.

Os voluntários vão em coluna e têm o itinerário "mais ou menos" programado. "Vamos em autossuficiência e levamos material de campanha. Vamos passar por Marrocos, deserto do Saara ocidental, Mauritânia, Senegal e Gâmbia”.

"Esta é uma missão com menos gente do que o habitual, porque vamos na época pós-chuva, que coincide com o início do nosso ano letivo. Vamos também experimentar se é preferível levar menos gente, mas poder ir mais vezes e assim levar ajuda de forma mais frequente", adiantou Nuno Rebocho.

Dos bens recolhidos estão 140 mil agulhas para seringa, 84 mil pares de luvas de exame, 28 mil seringas de insulina com agulha, 20 mil pares de luvas cirúrgicas, 3.600 ligaduras, 2.200 frascos de desinfetante de solução cutânea, 600 termómetros, mais de 2.500 equipamentos ortopédicos, "no valor de cerca de 65 mil euros", 476 ‘kits’ escolares e mais de 20 mil peças de roupa.

(Foto da net)


Suspeita fundação de apoio à G-Bissau ligada a pessoas investigadas na Alemanha

Alegada fundação de apoio à Guiné-Bissau ligada a pessoas investigadas na Alemanha
A Westafrika não existe legalmente nem na Alemanha nem na Guiné-Bissau. Teme-se que os seus membros se queiram aproveitar das fragilidades da Guiné-Bissau, para daí tirarem benefícios ou para o branqueamento de capitais.

Apesar de não existir legalmente, a Westafrika foi apresentada ao Governo e ao Presidente da Guiné-Bissau a 26 de agosto último, por um grupo de cidadãos alemães.

Fonte do sistema judiciário guineense, contactada pela DW, que pede o anonimato, teme que este grupo se queira aproveitar das fragilidades da Guiné-Bissau, para daí tirar benefícios ou pior, para o branqueamento de capitais.

Um dos cidadãos alemães, de nome Andreas Brandl, que esteve na apresentação da Westafrika na presidência da República em Bissau, é portador dum passaporte diplomático da Guiné-Bissau. Tem escritório na embaixada guineense em Berlim e está a pagar os custos do funcionamento da embaixada, segundo fontes da própria embaixada ouvidas pela DW África.

Andreas Brandl também está a ser investigado pela justiça alemã, em vários casos de fraude contra centenas cidadãos alemães.
As investigações foram confirmadas à DW pela procuradoria da cidade alemã de Heilbronn. Brandl é acusado de ter burlado investidores na sua função de diretor da empresa de energia solar Neckermann Neue Energien AG. Oficialmente não tem funções na fundação Westafrika, mas esteve presente na sua apresentação em Bissau.

E a própria fundação tem o endereço físico idêntico ao do escritório de Andreas Brandl e da Embaixada da Guiné-Bissau em Berlim: Kronenstrasse 72.

O alegado presidente oficial da fundação Westafrika, Olaf Baumgarten, é um empresário que atua na área da venda de lenhas e madeiras. Contactado pela DW África, admite que o processo de legalização da fundação, que se arrasta há dois anos, ainda não foi concluído.

Baumgarten também esteve presente na delegação da fundação Westafrika que se apresentou em Bissau, no passado dia 26 de agosto, juntamente com um funcionário do escritório de representação da Embaixada da Alemanha de Dakar.

Diplomacia alemã apoia ou não a Westafrika?


Os alemães reuniram-se com o primeiro-ministro, Baciro Djá, assim como com o Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, prometendo apoiar o país com um contentor de medicamentos e equipamentos hospitalares e na reabilitação de uma escola na vila de Bula, num valor total de 350 mil euros – informação divulgada na rede social Facebook, pela empresa de comunicação que trabalha para a alegada fundação.

Contactado pela DW África, o ministério dos Negócios Estrangeiros alemão diz que a fundação Westafrika não conta com o apoio da Embaixada da Alemanha. O funcionário do escritório da embaixada de Dakar terá apenas estado "presente aquando a entrega de uma dádiva", em Bissau. No entanto, em conversa com a DW, o presidente da fundação Westafrika, Olaf Baumgarten, salientou o "valioso apoio" prestado pela embaixada alemã.

Justiça inoperante perante casos complexos

Para o magistrado do Ministério Público da Guiné-Bissau, casos como estes são complicados de investigar. Sobre o uso indevido de documentos de identificação da Guiné-Bissau, por parte de indivíduos que estão a ser investigados pela justiça em outros países, o magistrado Júlio Vieira Nsumbo entende que “as instituições do Estado [guineense] estão em conluio com esses supostos empresários”.

“São concedidos indevidamente documentos da Guiné-Bissau, prejudicando o bom nome do país. Dão-se passaportes diplomáticos a pessoas estrangeiras que não têm esse direito na lei guineense”, lamenta o magistrado guineense.

Além disso, mesmo que se iniciem investigações a este tipo de casos, dificilmente há resultados concretos, segundo Júlio Vieira Nsumbo. “Há poucas denúncias que são levadas aos tribunais e há poucos casos que chegam ao fim. Vendo as estatísticas, podemos ficar com a ideia que o fenómeno de branqueamento de capitais não existe na Guiné-Bissau, porque não há condições para proceder a investigações. Usam dinheiro sujo no circuito comercial ou de caridade para poderem retirar dividendos que aparentam ser lícitos”, afirma o magistrado.

No entender do magistrado Julião Nsumbo, o aparecimento em cena de falsos cooperantes tem prejudicado muito o Estado da Guiné-Bissau. “Há uma sensação de impunidade no sector da justiça, que se tem revelado incapaz de fazer face a esses fenómenos.”

Por um lado, “o investimento estrangeiro cria riqueza, cria emprego, mas não podemos ao desbarato entender que há efeitos benéficos nesses investimentos e pôr em causas interesses fundamentais do país”, avalia Julião Nsumbo, que defende que o Estado guineense deve tomar mais atenção no relacionamento com pessoas que na realidade não conhece.

A DW África tentou, sem êxito, abordar o assunto com o Governo guineense, assim como com a presidência da República.



Apresentação da Westafrika ao Presidente guineense José Mário Vaz


As autoridades guineenses não terão investigado a transparência e a veracidade da alegada fundação alemã