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Joseph Pulitzer

quarta-feira, 30 de abril de 2014

G-Bissau a braços com falta de peixe para consumo

O país continua a braços cruzados com a falta de peixe para o consumo interno.


Trata-se de uma situação que tem vindo a alastrar-se há mais de dois meses, estando na sua origem a alta procura dos comerciantes do país vizinho, conforme as declarações das mulheres vendedeiras de peixe ouvidas esta terça-feira à reportagem da RSM.

As vendedeiras consideram que a situação é preocupante devido a elevada procura dos peixes no porto de Bissau, por comerciantes do país vizinho, o que leva o mercado nacional a revelar a falta de peixe para o consumo interno.

(Rádio SolMansi)




Cabo Verde: Primeiro-ministro reuniu-se com José Ramos Horta

O líder da missão UNIOGBIS, criada pela ONU, para consolidar a paz na Guiné-Bissau, José Ramos Horta, reuniu-se, na terça-feira, 29, com o primeiro-ministro cabo-verdiano, José Maria Neves.


Horta pediu o apoio de Cabo Verde na captação de recursos para a “reconstrução” da Guiné-Bissau, argumentando que a “Guiné-Bissau fez a sua parte e espera que a Comunidade Internacional também faça a sua”.

O presidente de Timor-Leste entre 2007 e 2012 e Prémio Nobel da Paz em 1996, está em Cabo Verde no âmbito da comemoração do 80º aniversário do ex-presidente cabo-verdiano, Pedro Pires. Ramos Horta veio como amigo, mas também como representante da ONU.

Segundo o mesmo, o primeiro-ministro de Cabo Verde “disponibilizou de imediato o total apoio ao povo irmão da Guiné-Bissau, em parceria com a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), a União Africana (UA), a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a União Europeia (UE)”.

O Nobel da Paz disse que espera que a comunidade internacional “volte a apoiar a Guiné-Bissau”, referindo que o povo guineense tem agido com grande civilidade, tal como se comprovou nas recentes eleições, processo que foi o mais bem-sucedido da história do país.

Por fim, Ramos Horta agradeceu todo o apoio de Cabo Verde, “na busca de melhores caminhos para a Guiné-Bissau”.




Comunidade internacional satisfeita com "clima de entendimento" na G-Bissau

Os representantes da comunidade internacional na Guiné-Bissau mostraram-se, esta quarta-feira, encorajados com o clima de entendimento que se regista no país a 24 horas do início da campanha para a segunda volta das eleições presidenciais.


A satisfação foi transmitida por Ramos-Horta, representante da ONU, Ovídio Pequeno, da União Africana (UA), Ussumane Cissé, da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), e Joaquin Gonzalez Ducay, da União Europeia (UE).

Todos participaram num encontro promovido pelo presidente de transição guineense, Serifo Nhamadjo, com os dois candidatos à segunda volta das presidenciais.

No encontro presenciado pelos jornalistas, os dois candidatos, José Mário Vaz e Nuno Nabian, prometeram aceitar os resultados que venham a sair do escrutínio de 18 de maio próximo.

Para Ramos-Horta, as palavras pronunciadas pelos dois candidatos "são tranquilizadoras", por simbolizarem a esperança em como a segunda volta das eleições será pacífica, tal como foi a primeira volta ocorrida a 13 de abril.

O representante da União Europeia, Gonzalez Ducay reafirmou a vontade em retomar a cooperação com a Guiné-Bissau (interrompida com o golpe de Estado militar de 2012) na esperança de que as eleições terminem "com êxito".

As votações "são uma oportunidade para que os guineenses façam da Guiné-Bissau uma casa comum", observou o diplomata europeu.

A mesma esperança no sucesso da segunda volta presidencial foi manifestada pelo representante da UA, Ovídio Pequeno, bem como pelo representante da CEDEAO, Ussumane Cissé.

Este último dirigiu-se ao futuro primeiro-ministro guineense, Domingos Simões Pereira, líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e frisou que a Guiné-Bissau é membro de pleno direito da organização sub-regional africana.

As eleições legislativas realizaram-se no mesmo dia da primeira volta das presidenciais, a 13 de abril, e o PAIGC venceu com maioria absoluta.

Simões Pereira já tinha manifestado a Ussumane Cissé o interesse do próximo Governo em cooperar "a todos os níveis" com a CEDEAO e destacou que a Guiné-Bissau considera a comunidade "um espaço natural da sua integração africana" por ser uma organização à qual pertence "não por opção, mas pela realidade das coisas".

José Mário Vaz, apoiado pelo PAIGC, foi o único candidato que se dirigiu ao representante da CEDEAO, prometendo "uma política de boa vizinhança", em especial em relação ao Senegal e à Guiné-Conacri.

O representante da CEDEAO disse ter tomado "uma boa nota" das ideias avançadas pelos candidatos e líderes políticos guineenses, os quais encorajou a prosseguirem na via do diálogo.

"Depois das eleições, a CEDEAO estará sempre aqui para continuar o trabalho iniciado", observou Ussumane Cissé.



Candidatos presidenciais prometem aceitar resultados

Os dois candidatos à presidência da Guiné-Bissau, José Mário Vaz e Nuno Nabian, prometeram hoje que vão aceitar qualquer resultado que venha a sair da segunda volta do escrutínio, a realizar no dia 18.


A convite do Presidente de transição guineense, Serifo Nhamadjo, e perante elementos da comunidade internacional, José Mário Vaz e Nuno Nabian comprometeram-se a aceitar "o veredito popular ditado pelas urnas" em nome da paz e da estabilidade do país.

"Estamos preocupados com a situação e imagem do nosso país", afirmou José Mário Vaz (também conhecido como Jomav), o candidato mais votado na primeira volta das presidenciais, que disse aceitar qualquer resultado.

José Mário Vaz estava acompanhado de Domingos Simões Pereira, líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e por inerência nome indicado para próximo primeiro-ministro.

As eleições legislativas realizaram-se no mesmo dia da primeira volta das presidenciais, a 13 de abril, e o PAIGC venceu com maioria absoluta.

Simões Pereira apoia a candidatura de José Mário Vaz e também prometeu respeitar os resultados.

Por seu lado, Nuno Nabian, candidato independente apoiado na segunda volta pelo Partido da Renovação Social (PRS), defendeu ser da responsabilidade dos dois candidatos fazer com que as presidenciais decorram com tranquilidade.

"A nossa diretoria de campanha e eu próprio vamos trabalhar para que o veredito popular seja respeitado. A Guiné-Bissau está acima de todos nós", declarou Nabian.

Apesar de ser apoiado pelo PRS, principal partido da oposição, Nuno Nabian prometeu, caso seja eleito presidente, trabalhar com Domingos Simões Pereira na qualidade de primeiro-ministro.

Sobre o futuro primeiro-ministro, Nuno Nabian disse ser uma pessoa que conhece "muito bem" por terem estudado juntos na antiga União Soviética e nos Estados Unidos da América.

"Conheço o engenheiro Simões Pereira muito bem. É uma pessoa amiga, um homem de Estado", acrescentou Nabian, que prometeu uma cooperação institucional com o Governo.

O processo eleitoral em curso na Guiné-Bissau põe termo a um período de transição de dois anos após o golpe de Estado de abril de 2012.

















Ébola: uma epidemia sem precedentes

“Estamos perante uma epidemia de magnitude nunca vista”. São estas as palavras do coordenador dos Médicos Sem Fronteiras (MSF) na Guiné-Conacri, Mariano Lugli. 

 
O vírus já causou a morte de mais de 60 pessoas, neste país africano. Uma nação que, ao longo da história, tem sido afectada pela fome, pelos conflitos políticos e pela falta de condições mínimas de sobrevivência é, agora, vítima de mais uma epidemia. Uma epidemia sem precedentes e difícil de controlar. O número de casos confirmados já subiu para 110 (dos 197 suspeitos).
Os MSF, que realizaram intervenções em quase todos os surtos de ébola dos últimos anos, consideram que, até agora, os casos conhecidos foram em menor escala e mais restritos geograficamente do que a situação actual. Gueckedou, Macenta, Kissidougou, Nzerekore e Conacri são as zonas mais afectadas.
A grande maioria dos contágios ocorreu no sul da Guiné, considerado o epicentro do problema, especialmente em Guékédou (34 mortos dos 58 casos) e Macenta. Enquanto na capital, Conakry, se registaram pelo menos 36 casos de febres hemorrágicas, com 15 mortos, e a crise já se estendeu à vizinha Libéria, com 13 mortes e mais seis casos confirmados.

Esta epidemia começou em Fevereiro, quando o director do hospital regional da localidade de Macenta visitou um paciente que sofria de uma terrível febre, acompanhada de vómitos severos. Passado uns dias, toda a equipa médica sofria dos mesmos sintomas.
A febre hemorrágica ébola (FHE) é uma doença infecciosa grave e muito rara, fatal em 70% a 90% dos casos. Foi identificada pela primeira vez em 1976, no antigo Zaire, actual República Democrática do Congo, perto do rio Ébola, que acabou por dar o nome ao vírus.

Os primeiros sintomas são febre alta, dores de cabeça, falta de apetite e conjuntivite. Alguns dias mais tarde surge diarreia, náuseas e vómitos com sangue, seguidos de sintomas de insuficiência hepática, renal e distúrbios cerebrais com alterações do comportamento. Para haver transmissão do vírus é preciso contacto próximo com fluidos orgânicos, como urina, lágrimas, sangue, vómito e secreções genitais.

Esta não é a primeira vez que o ébola ataca. Em 2005, Angola registou a primeira grande epidemia do vírus Marburg, da família do ébola. Estas são doenças bastante características de climas tropicais e dificilmente se alastram, em larga escala, para os países ocidentais. No entanto, o risco para o pessoal médico e laboratorial é considerável, se não forem tomadas todas as regras de higiene e segurança.

Os Médicos Sem Fronteiras já enviaram uma equipa de, pelo menos, 60 profissionais para a Guiné-Conakri, para auxiliarem as outras equipas que estão no terreno. Médicos e enfermeiros que, em muitos casos, estão dispostos a dar a vida por quem mais necessita: nos últimos três meses, pelo menos 24 trabalhadores da área da saúde contraíram o vírus, sendo que 13 acabaram por não resistir à doença.
(por: Joana Ferreira)



Qualificação, formação e capacitação da Nação



Ideias para reflexão:


Qualificação, formação e capacitação da Nação


Temos consciência de quais são as prioridades do País, e também do novo governo, e que as mesmas deverão passar pela segurança e sustentabilidade alimentar, retoma e reforço da cooperação internacional, reformas setoriais, nomeadamente nas áreas de justiça, segurança e defesa, investimento em setores estratégicos, nomeadamente economia, energia, água e transportes, em áreas sociais integradas que reportam à educação, saúde e ação social, bem como a regularização de salários dos agentes da administração pública e o funcionamento do aparelho Estado em toda a sua dimensão.

No entanto, o assunto que ora alocamos à presente reflexão não é somenos importante face a atual situação do País e a necessidade da sua capacitação e qualificação, permitindo dessa forma responder às questões previamente levantadas.

Ora, a formação enquanto qualificação de recursos humanos é uma das melhores ferramentas para o ajustamento das velas de um povo, pois é na formação que está a chave do aperfeiçoamento e desenvolvimento de uma sociedade.

A maior parte das vezes que ouvimos palavras como “Formação” ou “Qualificação” estas referem-se à dimensão individual. Porém, a formação não é apenas uma ferramenta pessoal: trata-se sobretudo de um mecanismo para a evolução dos povos e das sociedades.

Os povos que se querem evoluídos, que pretendem reforçar-se internamente, não podem menosprezar nem o valor da educação nem a relevância da formação, entendida aqui como a qualificação de quadros e agentes do processo de desenvolvimento.

É certo que cada um de nós procura valorizar-se como forma de aceder a condições pessoais e sociais que nos elevem, mas é a própria sociedade que se constrói e reforça com o sucesso dos seus indivíduos. Na governação, no mundo empresarial, nas atividades extrativas e transformadoras, no turismo ou no mundo académico, a qualificação é aquilo que separa o modesto amadorismo do arrojado desenvolvimento de um país.

Em países desenvolvidos, onde existe uma forte vocação de ensino, investigação e formação, os exemplos vêm da esfera empresarial. É aí que surgem as modas, as técnicas e os aperfeiçoamentos. Porém, nos restantes países que se querem modernizar, os exemplos vêm geralmente da componente política, melhor ainda, das opções da governação. Ou seja, são os atores políticos que marcam o padrão.

Tal como esses países, a Guiné-Bissau não foge à regra, nem os seus atores políticos. Aliás, existe uma forte componente de afirmação políticas nesse sentido que urge ter em consideração no aspeto social do País.

E formação porquê?

Porque formação é sinónimo de rigor e qualidade na ação. É essa ação qualificada que faz a diferença entre ambientes estagnados e ambientes em constante evolução. Nasce aí o exemplo político que se repercute nos sectores produtivos e sociais, criando e alimentando uma escola de valorização, sustentada na busca do sucesso.

A formação deve ser estimuladora do intelecto mas deve também moldar a personalidade, tornando os indivíduos mais capacitados, confiantes e mobilizados. Esse é um resultado que urge procurar porque nele se reflecte a evolução da sociedade, neste caso a sociedade guineense, como um todo.

Os desafios atuais, políticos e não só, obrigam a uma constante adaptação às novas realidades. Nesse quadro, é essencial que a formação desenvolva numa base de continuidade e articulação com as estratégias nacionais, sejam elas políticas, sociais ou empresariais.

A título de exemplo, referimos a uma das metáforas mais interessantes do comportamento humano, perante a adversidade fala-nos de um barco à vela que enfrenta a circunstância de parar em alto-mar porque os ventos mudaram. A pergunta que se coloca é quase óbvia: como devemos reagir? 1) Há o pessimista que se afunda na depressão e acha que não há nada a fazer; 2) Há o otimista que tem esperança e espera que o vento mude. Devemos seguir o exemplo de qual deles?

Se analisarmos bem, o primeiro nunca sairá do mesmo sítio, vendo piorar cada vez mais a sua situação até ao desaire absoluto. O segundo coloca-se na mão dos elementos e de condições externas, não sendo nunca senhor do seu destino.

Não devemos seguir nem um nem o outro! Devemos reagir como o realista: aquele que ajusta as velas de forma a adaptá-las à nova direção do vento. Esse mudou o seu presente, olhando de frente para o seu futuro.

Tal como o realista, os bons povos têm sempre na mão a solução para os seus problemas. Possuindo o mais valioso dos recursos – as pessoas – os bons povos só têm de ajustar as velas e seguir com os ventos mais favoráveis. A formação enquanto qualificação de recursos de humanos é uma das melhores ferramentas para o ajustamento das velas de um povo.

Esta breve introdução é importante para definir, enquadrar e orientar a necessidade de capacitação dos recursos humanos que forçosamente tem de começar com a modernização do Estado, administração pública e sector privado, com forte componente na formação e qualificação dos seus agentes.

O investimento em Capital Humano e a Capacitação Institucional / Eficaz Gestão do Setor Público e Good Governance só podem ser concretizados com a aposta nos domínios da Educação, Qualificação, Formação, Ciência, Ensino, Tecnologia e Inovação de modo a garantir a diminuição da Pobreza e a valorização do capital social; desenvolvimento económico e social sustentável, com crescimento e emprego; desenvolvimento territorial equilibrado das regiões e comunidades locais; desenvolvimento e modernização das infraestruturas nacionais.

O Estado guineense precisa modernizar-se e com ele a Nação consolidar o seu projeto democrático, mantendo estes princípios e orientar a sua ação na procura constante do efeito multiplicador da relação qualificação/formação e modernização.

Neste pressuposto, é importante entender que não só os quadros externos são contribuintes da competência e da qualificação, mas, também, os que se encontram no terreno a desenvolver as suas competências, e em contacto permanente com a realidade local, mesmo com grandes dificuldades de exercício que lhes são inerentes e a falta de condições de trabalho, dão o seu máximo para o progresso da Nação. Isso é de incentivar, fomentar e recompensar.

Por conseguinte, a formação e qualificação não se reservam apenas ao campo técnico e/ou académico, mas também, profissionalizante e específicos das atividades que o País carece. É de todo imprescindível reforçar essa questão no seio da Nação para que se tenha em conta que o processo de transformação da sociedade para o plano de desenvolvimento e progresso requer todo este conjunto de capacidades e coloca-los ao serviço do bem-estar da comunidade. Aliás, sobre este assunto é sempre importante reviver os ensinamentos de A. Cabral como testemunho de quem sempre pautou por essa questão quando refere, no encontro de Ensalma, o seguinte:

(…) "Para aquele que era mecânico, electricista, pescador, agricultor quando entrou na Luta, irão ser criadas condições para ele continuar a sua actividade e viver o seu estatuto de combatente da liberdade da Pátria. A nossa independência termina em Ensalma. Ela vai ser entregue à gente que virá ao nosso encontro para a assumir. Essa gente é que irá começar a cumprir o Programa Maior que é desenvolver a terra, tarefa maior e mais complicada” (…).



É sem dúvida importante ter presente os ensinamentos e com ele fazer resultar no plano nacional o verdadeiro ideal do homem e do construtor da nova democracia e valores fundamentais da Nação.

Este artigo é assinado por mim e pelo meu caro amigo e colega Paulo Colaço, um experiente e conceituado consultor/formador e analista político Português a quem agradeço a amabilidade em aceitar o meu convite para tecer algumas considerações sobre a questão ora abordada.


Lisboa, 30 de Abril de 2014.


Luís Vicente

(Tec. Sup. Economia/Gestão/Finanças)
(Pgd. Administração e Políticas Públicas)


Paulo Colaço

(Formador / Analista político)
(Consultor Banco de Portugal)

Ajudantes de Bubo Na Tchuto confessam tráfico de droga

Confissões entregues em tribunal em Nova Iorque


Dois ajudantes do antigo chefe de estado da Armada da Guiné-Bissau, Bubo Na Tchuto, acusados de tráfico de droga nos Estados Unidos, admitiram ser culpados num tribunal em Nova Iorque.

Tchamy Yala e Papis Djeme entregaram as suas confissões esta segunda e terça-feira, admitindo ao juiz que conspiraram para traficar cocaína da Africa Ocidental para a Guiné Bissau. A droga seria depois distribuída na Europa e nos Estados Unidos.

Em abril do ano passado, Na Tchuto, Yala, Djeme e outros dois guineenses - Manuel Mamadi Mane e Saliu Sisse - foram detidos em águas internacionais perto de Cabo Verde por uma equipa da agência de combate ao tráfico de droga norte-americana. Os cinco homens arriscam pena de prisão perpétua.


(foto: reuters) 


terça-feira, 29 de abril de 2014

Equívoco entre Bissau e Conacri atrasa trasladação de guineense morto em Luanda

Os restos mortais do guineense Mamadu Bobo Balde, de 45 anos de idade, encontrado morto a 23 de Março numa instalação prisional em Luanda, Angola, só chegam ao país nos próximos dias depois de ter ocorrido um equívoco esta segunda-feira, entre a Guiné-Bissau e Conakry, onde a urna foi deixada esta madrugada, num voo de uma companhia aérea.


Falando à PNN no Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira, o Presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), Luís Vaz Martins, acompanhado pelos familiares da vítima, que esperavam o corpo, confirmou o adiamento da chegada da urna funerária.

«Recebemos a notícia de ter havido um engano entre a Guiné-Bissau e Conakry. Neste momento o corpo encontra-se na República vizinha de Conacri e vamos continuar a fazer pressão para que, nos próximos dias, possam conduzir os restos mortais ao país», referiu Luís Vaz Martins.

O Presidente da LGDH considerou ainda que é preocupante a situação dos guineenses em Angola, país onde, no seu entender, o nível de violação dos direitos humanos é elevado.

«É uma situação preocupante, que demonstra a situação dos direitos humanos naquele país. Quando as pessoas são mortas pelas autoridades significa que o nível de violência do próprio Estado é muito elevado» afirmou, tendo exortado as autoridades guineenses a tomar medidas concretas de forma a prevenir que situações do género aconteçam aos concidadãos guineenses que vivem naquele país.

Mamadu Bobo Baldé, engenheiro de formação com 45 anos de idade, emigrou-se para Angola a 26 de Janeiro de 2013, com os objectivos de procurar melhores condições de vida. Este caso junta-se à morte de António Maurício Bernardo, em circunstâncias por explicar, numa das celas da 23.ª Esquadra da Polícia Nacional de Angola, a 19 de Março, para além do desaparecimento forçado, desde julho de 2012, da jornalista Ana Pereira, conhecida por «Milocas».

( por: Tiago Seide)

Parceiros prontos a ajudar novo governo a pagar salários em atraso na G-Bissau

Vários parceiros internacionais estão disponíveis para financiar salários em atraso nos setores públicos da educação e saúde da Guiné-Bissau assim que tome posse o novo governo, anunciou José Ramos-Horta, representante das Nações Unidas no país. 



As eleições legislativas e presidenciais realizaram-se a 13 de abril e o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) elegeu a maioria dos deputados do parlamento enquanto a corrida ao palácio presidencial vai decidir-se numa segunda volta a 18 de maio.

"A União Europeia [UE] e outros parceiros estão disponíveis e há muito boa vontade para encontrarmos soluções", referiu José Ramos-Horta.
 
 

Portugal vai retomar relações com a G-Bissau


O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, afirmou que «há uma grande esperança» em que a Guiné-Bissau regresse à normalidade democrática após as eleições, garantindo que Portugal irá retomar as relações com este país.


As eleições guineenses decorreram a 13 de abril, dando a maioria absoluta ao Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), liderado por Domingos Simões Pereira, após dois anos de um governo de transição na sequência de um golpe de Estado. Falta agora eleger o próximo Presidente, numa segunda volta, marcada para 18 de maio.

«As eleições correram bem. Há uma grande esperança», disse Rui Machete, que salientou que o ato eleitoral «foi claro» e os «resultados não são contestáveis». O ministro falava aos jornalistas à margem de uma conferência sobre as relações entre a União Europeia e África, onde interveio na sessão de encerramento, em Lisboa.

O chefe da diplomacia portuguesa defendeu a necessidade de «criar as condições para que não volte a haver golpes de Estado militares», pelo que há que «cuidar dos militares da Guiné-Bissau e dar-lhes a tranquilidade suficiente para poderem assumir o seu papel num país democrático», garantindo o apoio de Portugal nesse sentido.

Sublinhando que, apesar do «problema» com o governo "de facto" na Guiné-Bissau, «a solidariedade [de Portugal] com o povo guineense não foi interrompida», o governante prometeu a solidariedade portuguesa para a saída de uma crise «muitíssimo difícil».

«Também ajudaremos o governo da Guiné-Bissau numa tarefa muito difícil que tem pela frente», que é a de «sair dessa crise e recuperar muito do tempo perdido», referiu.

O objetivo é que «se recriem todas as condições necessárias para que a Guiné-Bissau retome o seu lugar entre os países africanos democráticos», acrescentou.

Machete garantiu que, também a nível diplomático, serão restabelecidas as relações diplomáticas entre Lisboa e Bissau.

Questionado sobre se a TAP irá retomar a ligação aérea entre as capitais dos países, interrompida em dezembro por problemas de segurança depois do embarque forçado em Bissau de passageiros ilegais, Rui Machete afirmou que «tudo isso decorrerá do desenvolvimento natural e do restabelecimento natural da normalidade».

«Só há ainda as eleições, mas em breve recuperaremos o tempo perdido, espero eu», sustentou.

Rui Machete enviou, a propósito dos resultados eleitorais das legislativas, uma carta de felicitações a Domingos Simões Pereira.




A “discrição” do golpista de 4 estrelas António Indjai


As coisas estão a acontecer discretamente. 


António Indjaj obrigou os militares a votarem no candidato Nuno Nabian na 1ª volta. 
Quem desobedeceu sofreu represálias diversas, ainda por esclarecer.

Havendo desde já suspeitas indiciadoras de que António Indjai tem mandado bater nos militares nos últimos dias, incluindo o tal de Daba Na Walna.

Aparentemente os guineenses mais atentos estão tranquilos, mas nos bastidores começa a haver tensão.

Por causa dessa imposição de António Indjai acompanhadas de ameaças constantes, houve muitos votos nulos da parte dos militares devido ao seu controle.

É do conhecimento restrito que, o “4 estrelas” Indjai fez também insinuações ameaçadores à CNE sobre as presidenciais, que deveria ser o Nabiam a ganhar.

É importante que os militares enquanto cidadãos não se sintam coagidos no exercício do seu papel de eleitores e possam votar livremente na sua preferência no candidato Presidencial que mais lhes aprouver e a quem garantirão a estabilidade do País enquanto posteriormente militares.
Para registo futuro...


segunda-feira, 28 de abril de 2014

Os restos mortais do Eng. Mamadu Bobo Balde, chegam amanhã a Bissau


Nota informativa







A Liga Guineense dos Direitos Humanos recebeu uma denúncia dos familiares de Eng. Mamadu Bobo Baldé sobre as circunstâncias da sua morte numa das celas da Polícia Nacional de Angola, no dia 23 de Março 2014.


Segundo a família, a vítima era um Enginheiro civil que residia em Portugal e fazia prospeção de negócios em Angola, onde foi detido no dia 11 de Março. 12 dias depois da sua detenção foi encontrado morto nas instalações da polícia angolana em circunstâncias por apurar.

Volvido mais de um mês deste acontecimento trágico, os restos mortais de Eng. Mamadu Bobo Baldé chegam a Bissau amanhã terça feira 29 de Abril 2014, por volta das 3 horas da manhã.

Por forma a esclarecer as circusntâncias do desaparecimento físico deste cidadão guineense e a pedido da LGDH, uma equipa técnica da polícia Judiciária incluindo um especialista em medicina legal vai examinar o corpo do malogrado antes de ser transportado para Xitole sua terra natal onde será sepultado no mesmo dia.

Eng. Mamadu Bobo Baldé, de 45 anos, emigrou-se para Angola no dia 26 de Janeiro 2013, com os objectivos de procurar melhores condições de vida, acabando por encontrar este fim trágico.

Este caso junta-se à morte em circunstâncias por explicar de António Maurício Bernardo numa das celas na 23ª esquadra da Polícia Nacional de Angola a 19 de Março 2014, para além do desaparecimento forçado desde julho de 2012, da jornalista Ana Pereira, conhecida por Milocas.

A LGDH considera de inaceitável que cidadãos guineenses sejam alvos de perseguições, detenções arbitrárias e assassinatos na República irmã de Angola. Por isso, exige mais uma vez, às autoridades angolanas no sentido de abrirem com caracter de urgência, inquéritos transparentes com vista ao esclarecimento cabal destes casos e consequente tradução à justiça dos supostos responsáveis morais e materiais de tais actos hediondos e criminosos.

Uma delegação presidida pelo Presidente da LGDH estará no Aeroporto internacional Osvaldo Vieira para testemunhar a chegada do corpo deste cidadão nacional e solidarizar-se com a família neste momento doloroso.

Pela Paz, Justiça e Direitos Humanos!
(Foto: LGDH)

Comunicação Social não foi independente durante a campanha eleitoral

Segundo um relatório da missão eleitoral da União Europeia na Guiné-Bissau, “A comunicação social teve de comprometer a sua independência em troca da sobrevivência financeira”, durante a campanha para as eleições gerais, que decorreram no passado dia 13 de Abril.




O sindicato dos jornalistas da Guiné-Bissau reconheceu que a falta de dinheiro – havendo salários em atraso – levou a que alguns órgãos de comunicação social acompanhassem mais de perto alguns candidatos em detrimento de outros. Houve situações em que candidatos pagaram um valor diário aos jornalistas para os acompanharem em determinadas acções.
O PAIGC venceu as eleições legislativas com maioria absoluta, enquanto as presidenciais vão decidir-se numa segunda volta, no dia 18 de Maio.


Ramos-Horta diz que está a ser feito um esforço para pagar salários em atraso

Os atrasos salariais dos funcionários públicos continuam a fazer parte da realidade da Guiné-Bissau. 


No entanto, o representante da Organização das Nações Unidas (ONU) no país, José Ramos-Horta, apelou recentemente à compreensão de todos os trabalhadores, informando que está a ser efectuado um esforço para encontrar uma solução.

À margem da cerimónia pública de lançamento da Rede Nacional de Defensores dos Direitos Humanos, Ramos-Horta reconheceu as más condições de vida dos trabalhadores e afirmou que “estamos a fazer um esforço junto do Banco Mundial e outros parceiros, incluindo a União Europeia, para que haja injecção de algum capital no país para que o novo Governo possa fazer o pagamento dos salários”, noticia o Diário Digital.



Mais de 13 mil crianças em risco de vida por falta de vacinação

Mais de 13 mil crianças menores de um ano de idade correm risco de vida por falta de vacinação na Guiné-Bissau. Os dados foram revelados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em comunicado de imprensa que a PNN consultou.

 


«Crianças da Guiné-Bissau menores de um ano continuam sem ser vacinadas contra o sarampo e mais de 10 mil menores não são imunizadas contra a hepatite B, difteria, tosse convulsa e tétanos», revelou a UNICEF.

As duas organizações adiantaram que as vidas destas crianças se encontram em risco devido à falta de vacinação: «Na Guiné-Bissau quase um quarto das crianças com menos de um ano ficam sem imunização, numero acima da média mundial, que indica que um quinto das crianças de todo mundo ainda se encontram sem receber as vacinas», revelou a UNICEF.

Neste sentido, a entidade da ONU encarregue dos assuntos das crianças informou que, negar as crianças ao acesso da vacina é negar-lhes o direito de serem saudáveis e, muitas vezes, até de viver.

«Não vacinar as crianças contra uma doença mortal significa que ela fica exposta à morte, assim como a sua própria família e a comunidade a que pertence», disse a UNICEF.

As autoridades de transição ainda não reagiram a estas preocupações reveladas pelas duas organizações internacionais.
Os números da agência das Nações Unidas em Bissau estão no relatório conjunto com a Organização Mundial de Saúde (OMS), referente a 2013.


Prsidenciais, segunda volta

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) realizou esta sexta-feira, 25 de Abril, na sua sede em Bissau, o sorteio de posicionamento dos dois candidatos à segunda volta das eleições Presidenciais de 18 de Maio, tendo José Mário Vaz ficado na primeira posição e o seu único adversário, o independente Nuno Nabiam, na segunda.


Poucas mudanças em Bissau

Na Guiné-Bissau, o PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e de Cabo Verde) está já a preparar o novo governo, depois da vitória nas eleições legislativas de 13 de Abril.


O seu líder, Domingos Simões Pereira, que será o próximo primeiro-ministro, adoptou, apesar da maioria absoluta conquistada, um discurso apaziguador em relação às forças da oposição.

O PAIGC elegeu 57 dos 102 deputados à Assembleia Nacional Popular, o PRS (Partido da Renovação Social) 41, o PCD (Partido da Convergência Democrática) dois, o PND (Partido da Nova Democracia) um e a UM (União para a Mudança) outro.

Nas eleições presidenciais, que decorreram em simultâneo, José Mário Vaz, candidato do PAIGC, obteve 41% dos votos, seguido de Nuno Nabiam, apoiado por personalidades do PRS e pelas chefias militares, com 25%. Em terceiro lugar, com 10%, ficou Paulo Gomes, funcionário do Banco Mundial, e em quarto, com 7%, Abel Incada, líder do PRS. Os dois primeiros disputarão a segunda volta, a 18 de Maio, sendo previsível uma vitória do candidato do partido que dirigiu a luta pela independência.

 
 
 
As eleições tiveram uma alta taxa de participação, da ordem dos 80%, e foram validadas por centenas de observadores internacionais, que as proclamaram «pacíficas, livres, justas e transparentes». A elevada afluência às urnas e os resultados eleitorais mostram a opção do povo guineense pela paz e democracia.

A «comunidade internacional» – Nações Unidas, União Africana, União Europeia, Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) e Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) –, que financiou e organizou as eleições, tem esperanças de que, no final do processo, estejam reunidas as condições para a «normalização» da Guiné-Bissau, que desde o golpe de Abril de 2012 vive sob ditadura militar. O «homem-forte» é o general António Indjai, acusado por vários sectores, incluindo as autoridades estado-unidenses, de ligações aos tráficos de drogas e armas das rotas Oeste-africanas.

Legitimados nas urnas, os novos governantes do PAIGC procuram construir consensos alargados com a oposição, no sentido de fortalecer a unidade nacional. Isto porque, a par dos graves problemas económicos do país, Domingos Pereira e os seus camaradas terão que resolver rapidamente a situação dos generais golpistas, ainda à frente das forças armadas e, com aliados civis, detentores de grande poder.

Há pressões internacionais, canalizadas sobretudo através do representante do secretário-geral da ONU em Bissau, José Ramos Horta, no sentido de se formar um governo «inclusivo», com a participação de todas as forças políticas, incluindo o PRS.
 
(por: Carlos Lopes Pereira, in: Diario.info)
 

domingo, 27 de abril de 2014

Dificuldades na G-Bissau obrigam meios de comunicação a 'vender-se'

As dificuldades financeiras na Guiné-Bissau estão a fazer com que alguns órgãos de comunicação social se estejam a "vender" aos candidatos às eleições e sejam alvo de manipulação, denuncia o sindicato dos jornalistas do país.


As eleições legislativas e presidenciais realizaram-se a 13 de Abril e o PAIGC elegeu a maioria dos deputados do parlamento enquanto a corrida ao palácio presidencial vai decidir-se numa segunda volta a 18 de Maio.

A poucos dias do início da campanha há um "quadro de dificuldades financeiras em que alguns órgãos se estão a vender", referiu Mamadu Candé, presidente do Sindicato dos Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social (Sinjotecs) à agência Lusa.

Aquele responsável aponta como exemplo situações em que os candidatos pagam um valor diário aos jornalistas para que os acompanhem em determinadas acções - caso contrário, podem não ter meios para o fazer.

"Um candidato leva consigo o jornalista e paga-lhe um ‘per diem'. Isto não tem nenhuma independência nem objectividade. Há riscos enormes" para a tarefa de informar o público, destaca Mamadu Candé.

Artigos de opinião a favor de um ou outro candidato apresentados como sondagens e candidaturas que dominam a informação de alguns órgãos foram outras das situações verificadas nas semanas que antecederam a votação de 13 de Abril.

"A comunicação social teve de comprometer a sua independência em troca da sobrevivência financeira" durante a campanha, concluiu na altura o relatório da missão eleitoral da União Europeia (UE) que analisou alguns dos casos.

"Os órgãos de comunicação públicos e privados cobriram o processo eleitoral com condições financeiras extremamente difíceis, o que influenciou a sua capacidade de oferecer uma cobertura equilibrada e imparcial, pondo em causa o pleno gozo da liberdade de imprensa", destacou-se no documento.

No caso do sector público, uma greve calou a televisão e rádios nacionais durante vários dias - afectando inclusivamente a transmissão dos tempos de antena.

Apesar de a situação estar, por agora, pacificada, Mamadu Candé realça que os trabalhadores dos órgãos públicos têm entre quatro a seis meses de salários em atraso, a que se somam alguns subsídios por pagar.

O presidente do Sinjotec faz um apelo à solidariedade dos parceiros internacionais da Guiné-Bissau para que possam ajudar de imediato os órgãos de comunicação social e jornalistas com dinheiro ou equipamento.

"Com o governo não podemos contar, já deram exemplos de que não têm interesse nisso. Dos parceiros da Guiné-Bissau precisamos da solidariedade de todos, senão vamos ter uma comunicação social dependente dos candidatos", realçou.

Os órgãos de comunicação social guineenses receberam nas últimas semanas apoio material das Nações Unidas e os meios estatais beneficiaram de ajuda financeira da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

No entanto, Mamadu Candé receia que o auxílio concedido não esteja à altura da responsabilidade dos "media" para "criação de um clima de paz e tranquilidade que o povo merece e precisa de ter".

As eleições presidenciais na Guiné-Bissau vão ser decididas a 18 de maio num segunda volta entre José Mário Vaz, ex-ministro do PAIGC, e Nuno Nabian, independente apoiado por figuras do PRS, principal partido da oposição.


Ramos Horta e os cidadãos de Bissau

Era domingo de Páscoa, já a manhã ia alta. Depois da missa na Catedral de Bissau, José Ramos-Horta dirige-se como qualquer cidadão, ao Café Império, privilegiado ponto de encontro situado na Praça dos Heróis Nacionais.


Altura para retemperar forças, comer um bolo, tomar um café, num momento de pura descontracção.

Hábito muito comum deste diplomata e antigo activista da causa nacional do seu povo, já que gosta de ir aos locais por onde toda a gente anda, em Bissau, nos arredores, em qualquer parte do País. Seja para comprar umas peças de fruta, visitar zonas residenciais, sentir o pulsar da sociedade. Não é um homem de gabinete e hotel.

Para trás, tinha ficado uma semana preenchida, uma agenda carregada de Ramos Horta, que fez questão de se reunir com partidos políticos e candidatos às eleições gerais do passado dia 13. É ponto assente, para o diplomata Nobel da Paz de 1996, avistar-se com todos, mesmo os que não conseguiram representação na nova Assembleia Nacional Popular, saída do escrutínio.

Reuniões com políticos, mas também todo um conjunto de tarefas do âmbito das Nações Unidas destinadas a ajudar o Povo guineense, as suas forças vivas, as suas instituições, a comunicação social, órgãos de soberania, organizações não-governamentais, neste momento particular que a Guiné-Bissau atravessa; de grande jornada democrática e de um verdadeiro virar de página após 15 anos de conflitos político-militares, a que os eleitores, de forma cívica e maciça, disseram “basta!”, no dia das eleições.

Já tinham passado vários dias desde a divulgação dos resultados provisórios nacionais e da diáspora por parte da Comissão Nacional de Eleições e porventura, já houve tempo para a maioria reflectir sobre os mesmos e as implicações que o escrutínio terá na vida dos guineenses nos próximos quatro anos.

Mas não é um desejo apenas para uma Legislatura ou para um Mandato Presidencial: os guineenses dizem todos que querem que a “Guiné-Bissau encontre para sempre a paz”, e “ uma vida melhor para todos, emprego, saúde, educação”.
Foi este o traço comum nalgumas das frases das várias pessoas que vieram ter com Ramos Horta, para lhe transmitir estas mesmas aspirações e desejos, de uma vida normal.

Surpreendentemente, abeiram-se do ex-Presidente de Timor-Leste, cidadãos, clientes da pastelaria, mas também colaboradores, que não perdem a oportunidade para lhe agradecer o trabalho desenvolvido desde fevereiro de 2013, quando chegou a Bissau para dirigir esta Missão Integrada das Nações Unidas.

Gente anónima com ideias bem claras sobre o que faz falta, o que a Guiné Bissau fará com esta escolha dos seus representantes, que põe fim a um período de transição, depois do golpe de estado de há dois anos.

Mas alguns, não conseguem disfarçar alguma ansiedade, simultaneamente de forma serena, expressam essa expectativa sobre como vai decorrer a campanha para a 2ª volta das Presidenciais e resultado dessa eleição marcada para 18 de Maio.
Todos sabem que a comunidade internacional está expectante, atenta á evolução do processo guineense. Eram visíveis por toda a parte, em Bissau e por todo o território, as mais de quatro centenas de observadores eleitorais, provenientes de 11 organizações internacionais e países (CEDEAO, União Africana, UE, entre outros).E que muito do prometido apoio de doadores internacionais e do reforço da ajuda destes países e blocos regionais, e a da própria ONU, depende muito da forma como a classe dirigente e os militares gerirem a nova realidade politica, respeitando o veredicto popular.

Apesar do efeito surpresa do momento, naquela mesa de café, e dos muitos cumprimentos, José Ramos Horta, escuta atentamente o que têm para lhe dizer estes cidadãos, eleitores, trabalhadores, não trabalhadores, pessoas de vários estratos sociais, culturas e credos.

Não é um político no sentido “clássico” e mediático este, que está ali no café Império a ouvir com atenção o cidadão comum; sentado àquela mesa ou colocando-se de pé para cumprimentar as pessoas, ali, naquele momento, não é o político experiente em banhos de multidão no seu País, enquanto Primeiro-Ministro e Presidente da Republica. É um homem que muito espontaneamente revela toda a atenção às pessoas que entram e saem, mas que num interregno, aproveitam para estes breves minutos de conversa ou uma calorosa saudação a Ramos-Horta.

Não havia câmaras, nem microfones, nem blocos de notas de jornalistas, nenhum mediatismo. Nem elementos do “staff” de Ramos-Horta, na ONU em Bissau.

O diplomata ao serviço das Nações Unidas, responde a estes cidadãos anónimos com toda a simplicidade, sem jargões políticos, sem lugares comuns, sem marcas de discursos oficiais nem institucionais. Apenas diálogo com uma directa e simples mensagem com desejo de esperança, de mudança, de dias melhores para a Guiné-Bissau, porque quem “ está de parabéns”, repete, Ramos-Horta,” é o povo guineense” e o belíssimo exemplo de maturidade democrática demonstrada na campanha e no dia das eleições.

Não se fala apenas de eleições. José Ramos –Horta escuta também desabafos, queixas de pessoas indignadas, fartas das más condições de vida que assolam a quase totalidade dos guineenses: salários em atraso, tanto nos sectores público, como privado; hospitais em sérias dificuldades, com falta de equipamentos e medicamentos; escolas com falta de recursos humanos e materiais, muitas delas com paragens forçadas; custo de vida incomportável para os mais carenciados; e também uma sensação de alguma falta de segurança, de instabilidade.

P.S: Este registo pessoal do que vi, ouvi, é apenas isso: uma experiencia pessoal, a que não resisti dar expressão pública em crónica, que reflecte apenas a minha opinião e o meu olhar de repórter .

(por: Luís Nascimento - Jornalista free-lance)
 

Pedro Pires defende novas gerações de políticos e de militares

Em declarações à Lusa, Pedro Pires, antigo comandante do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), lembrou que os novos dirigentes políticos saídos das legislativas de 13 deste mês "não está implicada" em conflitos ou em assassínios políticos do passado.

 


"Há o fim de um ciclo político. Saem dessas eleições direções encabeçadas por uma outra geração de políticos, que não está implicada nem nos conflitos, grandes ou pequenos, nem nos assassinatos políticos. É uma nova direção, uma nova oportunidade", sustentou Pedro Pires, presidente de Cabo Verde entre 2001 e 2011.

Incluindo nessa geração o novo líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, vencedor das legislativas, e outros de alguns partidos guineenses, Pedro Pires defendeu que a "provável" eleição de José Mário Vaz na segunda volta das presidenciais - concorre contra Nuno Nabiam - vai permitir abrir um novo ciclo político no país.

"Esta nova geração abre um novo ciclo político: primeiro, porque é nova e não tem conotações nem responsabilidades nos atos praticados antes. A provável eleição de José Mário Vaz também vai no mesmo sentido de uma nova geração, que não está implicada com os atos de violência. Com a próxima eleição presidencial, fecha-se, de facto, o ciclo político anterior e abre-se um novo".

Para Pedro Pires, porém, tal não é suficiente.
"É fundamental que se feche também o ciclo militar. O que significa isso? É reformar os atuais dirigentes das Forças Armadas, conferir-lhes uma pensão digna, mas que voltem para casa. Fechar o ciclo militar significa a substituição da atual liderança das Forças Armadas", sublinhou.

"Substitui-la por uma liderança mais esclarecida, mas de acordo com as ideias do Estado de Direito, com as normas do Estado de Direito, uma nova geração com cultura institucional, que respeite o Estado de Direito e se submeta à vontade popular e aos resultados eleitorais", sustentou.

Nesse sentido, o primeiro chefe de Governo do Cabo Verde independente (1975/91), que está a prefaciar um livro de memórias sobre Luís Cabral, primeiro presidente da Guiné-Bissau (1974/80), insistiu na ideia de que é "crucial" mudar a atual liderança militar.

"É crucial que o regime político guineense deixe de estar sob a tutela militar e é essencial que se transforme num regime civil. Para isso, será necessário a mudança da atual liderança militar", defendeu.

"A nova perspetiva, a nova esperança e as novas possibilidades para a Guiné-Bissau passam, primeiro, pelo encerramento do ciclo político, que já se está a fazer com o início de um novo sob a direção de novas personalidades, de uma nova geração, e, também, pelo fim do ciclo militar e início de um novo, com novas lideranças, jovens, que têm formação e que estejam integrados no espírito que rege o Estado de Direito", sintetizou.

Pedro Pires destacou também a "admiração" que tem pelo povo guineense, sobretudo pela "paciência" que tem demonstrado ao longo dos sucessivos incidentes e eleições no país.

"Nestas eleições, o povo da Guiné-Bissau foi impecável, e tem sido impecável", referiu.

Se os homens políticos da Guiné-Bissau tiverem necessidade de uma referência, de uma inspiração, acho que o povo guineense pode ser, de facto, a fonte dessa inspiração. O comportamento do povo, a sua esperança, fé, paciência é notável", concluiu.


Sangria da floresta guineense































sábado, 26 de abril de 2014

AFRICOM - Intervenções dos EUA em África partirão dos Açores

Uma singela notícia da Lusa revela que o congressista norte-americano Devin Nunes dá praticamente como certo que a as instalações militares das Lajes, nos Açores, utilizadas pelo Pentágono, serão a "base avançada" do AFRICOM, o comando operacional dos Estados Unidos para África, isto é, o principal instrumento de intervenção e agressão norte-americana no continente. Quarenta anos depois do 25 de Abril, a notícia passa como se fosse coisa de pouca monta.


O que é o AFRICOM? É um produto da reestruturação e do desenvolvimento do poder militar dos Estados Unidos da América no mundo criado já este século e que a Administração Obama tem acarinhado particularmente. Citando as normas constituintes, o AFRICOM existe com o objecivo de "contribuir para assegurar a segurança e a estabilidade em África". Já em 2008, o vice-almirante Robert Moeller, voz autorizada do Pentágono em conferências promovidas pela Secretaria da Defesa, esclareceu que a tarefa do AFRICOM é "promover o fluxo livre de recursos naturais de África para o mercado global". Como a certa altura se levantaram dúvidas sobre a natureza do comando para África, uma vez que o seu responsável terá afirmado que a sua acção nada tinha a ver com recursos naturais e exploração económica, o mesmo vice-almirante Moeller esclareceu em 2010: "O objectivo do AFRICOM é proteger as vidas dos americanos e promover os interesses americanos".

É disso que se trata agora que as instituições norte-americanas pretendem reformular o AFRICOM em termos

económicos e estratégicos quando se fala da instauração da sua "base avançada" nas Lajes, com "prontidão 24 horas por dia" a um nível muito elevado, segundo admitem fontes do Pentágono.

"Quando se falou da intervenção da NATO na Líbia quase passou despercebido que a parte norte-americana dessa guerra foi realizada através do AFRICOM", revela um diplomata de um país da NATO em missão em Bruxelas. "Na verdade, o AFRICOM é a imagem da ampliação do espaço de intervenção norte-americana em África, como podemos ver desde a Etiópia, à Somália, Sul do Sudão, Uganda, Tanzãnia, República Centro Africana, Mali e o mais que adiante se verá, sem esquecer a operação de imagem, na procura de boa fama, que foi a realização de exercícios a partir de Cabo Verde", acrescentou o diplomata.

O AFRICOM tem estado baseado na Alemanha, de onde o Pentágono vem realizando realizado algumas das execuções extra-judiciais de supostos "terroristas" no Norte de África através da cada vez mais frequente utilização de voos sem piloto, os drones. Citações atribuídas pela Lusa ao staff de do congressista Devin Nunes, identificado como tendo ascendência açoriana, explicam que a reestruturação do AFRICOM implica a transferência de importantes estruturas logísticas da Alemanha para os Estados Unidos, com poupança de "muitos milhões de dólares" e criação de postos de trabalho (em território norte-americano), e a instalação da "base avançada" do comando na base das Lajes, na Ilha Terceira, a que irá juntar-se uma Task Force da Aviação actualmente instalada na base espanhola de Morón de La Frontera.

Dez anos depois da cimeira acolhida por Durão Barroso, então primeiro ministro português, e na qual Bush, Blair e Aznar institucionalizaram a mentira como pretexto para uma guerra - a invasão do Iraque - a Base das Lajes, em território de Portugal, pode tornar-se um centro permanente de agressão contra o continente africano.

O silêncio do governo português perante estas notícias levanta questões de dignidade nacional e de constitucionalidade, revela cumplicidades com os círculos mais agressivos do neocolonialismo, e atinge as relações entre Portugal e países africanos, que Lisboa diz serem importantes.

"Não é só este governo portugês que assim se comporta", afirmou o diplomata em serviço na NATO em Bruxelas. "Tornou-se rotina entre os governos das últimas décadas deixar a utilização das Lajes ao livre arbítrio dos Estados Unidos, o que não acontece em mais nenhum país da aliança onde o Pentágono dispõe de bases", acrescentou. "E os americanos aproveitam", rematou.

(por: José Goulão, Pilar Camacho, em Bruxelas, Martha Ladesic, em Nova York)
(in: jornalistas sem fronteiras)
 

Água sanitária contra Ebola - Fronteiras G-Bissau

Água sanitária contra Ebola


Latas de água misturadas com água sanitária na fronteira entre a Guiné-Bissau e Guiné-Conakry, onde começa a eclosão da estirpe do vírus Ebola mais ameaçador, o "Zaire" e onde já existem mais de 100 mortos confirmados e pelo menos duas vezes os infectados.  

Para os Médicos Sem Fronteiras é uma "epidemia de uma entidade nunca antes visto em termos da distribuição dos casos na Guiné e países vizinhos."  
E o alarme disparou mesmo no Senegal com as medidas de segurança nos aeroportos para voos directos para a Europa.




 

Golfinho de Berlousconi na G-Bissau ??


A pedido do Procurador-Geral, Marcello Dell'Utri é um fugitivo, procurado pela Interpol também. A ordem de prisão preventiva para o braço direito de Berlusconi não foi executada porque Marcello Dell'Utri é indetectável.



Roma 11 de abril 2014 Aguardando a próxima terça-feira, o julgamento final para Marcello Dell'Utri, acusado de conivência com a máfia e condenado em primeira instância. 
Mas o ex- senador do PDL desapareceu. Assim como já havia feito para há dois anos, reaparecer após a anulação do julgamento passados 7 anos.

"Stop Marcello Dell'Utri ", pediu o procurador-geral agora, mas o pedido veio tarde demais. A ordem de prisão emitida contra Dell'Ultri pela Terceira Seção do Tribunal de Apelação de Palermo não foi de fato executado, porque os agentes do esquadrão de Milão não encontraram o ex- golfinho de Berlusconi.

Dell'Utri, condenado a sete anos para a máfia, está longe de ser encontrado, provavelmente no exterior na Guiné-Bissau, Líbano, ou na República Dominicana, onde já se tinha escondido há dois anos.

Em 3 de abril, o ex-senador estava no Líbano. Isto foi escrito pelo Procurador-Geral de Palermo no pedido de prisão, assinado em 7 de abril, o documento citado por Adnkrons .


As interceptações:
A ideia de acabar na prisão Marcello Dell'Utri só não gostou, como evidenciado por algumas escutas e facilmente como você pode imaginar a partir do exposto, o ex-senador decidiu esperar o julgamento final na Itália, mas escondido em algum país onde seria difícil a extraditá-lo. Para ajudá-lo a escapar a esta possibilidade, a posse do ex-senador de pelo menos dois passaportes diplomáticos.

No Ministério das Relações Exteriores "não parece que o ex-senador Marcello Dell'Utri está na posse de um passaporte diplomático italiano " ou " um serviço válido passaporte."

A interceptação ambiental que remonta a novembro do ano passado e direcciona os investigadores a pensar que Dell'Ultri, o bibliófilo, pode ester na Guiné-Bissau ou no Líbano. Realizada pelo Ministério Público em Roma, como parte de uma investigação de um contratante para a reciclagem Calabria, Gianni Micalusi, no dia 8 de novembro, e enviada imediatamente ao Palermo, na intercepção Alberto Dell'Ultri (irmão gémeo de Marcello falou de um possível abrigo de seu irmão no exterior.

Dell'Ultri, conversando com o proprietário do restaurante Madre Assunta de Roma, Vincenzo Mancuso, referiu-se ao fato de que a Guiné "é um país que concede passaportes diplomáticos com muita facilidade ... precisamos acelerar. " E Mancuso respondeu: "Mas eu sinto muito, Marcello não acho que para obter-se nomeado embaixador da Guiné.
"Alberto falou a esse ponto de" uma história de fundo todo "que girava em torno de" um personagem que se casou com a filha do presidente do Africano". Outra forma era oferecer a partir do Líbano: " Marcello - ele sempre disse a seu irmão - tinha jantar em Roma, com um importante político libanês, que é um presidente candidato".

O Dia: Dell'Ultri indetectável desde meados de março
Marcello Dell'Utri teriam desaparecido "desde a segunda metade da último março. "É como evidenciado por uma nota do DIA de Palermo, ao qual foi delegada ao serviço da ordem de prisão preventiva contra Dell'Ultri , publicada em 8 de abril pela Terceira Secção do Tribunal de Recurso de Palermo.
A medida vem na verdade de uma actividade para a sua investigação de Dia, o que permitiu a aquisição de uma série de descobertas e elementos de investigação sobre a existência de um perigo sério e real de fuga do acusado, tendo em vista o julgamento final do Supremo Tribunal Federal agendada para 15 de abril.


Terça-feira enquanto se aguarda o julgamento final a respeito dela Marcello Dell'Utri


Oficina de iluminação cénica em Bissau no âmbito de projecto europeu

A Cena Lusófona e a AD - Acção para o Desenvolvimento, em colaboração com o Centro de Intercâmbio Teatral de Bissau e com o apoio do Centro Cultural Franco Bissau Guineense, organizam entre 5 e 9 de Maio de 2014 uma oficina de iluminação em Bissau. 


A formação é dirigida pelo iluminador português António Rebocho, do Centro Dramático de Évora, e ocorre no âmbito do projecto P-STAGE - IV Estágio Internacional de Actores. Tem como destinatários os elementos dos grupos de teatro da cidade, que podem inscrever-se até 2 de Maio.

A oficina decorre em paralelo com a apresentação em Bissau, também no Centro Cultural Franco Bissau Guineense, do espectáculo "As Orações de Mansata", de Abdulai Sila, produzido no âmbito do projecto P-STAGE.
Este projecto é uma parceria entre a Cena Lusófona, a AD (Guiné-Bissau) e o Elinga Teatro (Angola), tendo como associados o CIT São Tomé, o CIT Bissau, a Sol - Movimento de Cena (Salvador, Brasil), A Escola da Noite e a Companhia de Teatro de Braga (Portugal) e o Theatro Circo de Braga (Portugal). É desenvolvido no âmbito do Programa ACP (África, Caraíbas e Pacífico)-UE de apoio aos sectores culturais ACP, executado pelo Secretariado do Grupo dos Estados ACP e financiado pela União Europeia. Inclui a realização de três oficinas para actores nos países africanos envolvidos e a construção de um espectáculo com actores portugueses, brasileiros, angolanos, guineenses e são-tomenses, que estreou em Portugal em Outubro de 2013 circula agora pelo espaço da CPLP. Paralelamente, a iniciativa prevê a realização de um documentário e de três oficinas de iluminação cénica, a segunda das quais tem lugar agora.

A AD - Acção para o Desenvolvimento tem sido o principal parceiro da Cena Lusófona na Guiné-Bissau e associa-se uma vez mais às actividades da associação, co-organizando as iniciativas que aqui têm lugar. O CIT Bissau é um dos principais resultados das colaborações que a AD e a Cena Lusófona vêm mantendo ao longo dos anos e tem como objectivo principal apoiar os grupos teatrais de Bissau através do intercâmbio com outros grupos e instituições de diferentes países, em particular no seio da CPLP.



Ramos-Horta vai deixar o cargo na G-Bissau

"Seria vantajoso [que falasse] ou português ou crioulo", referiu, questionado pela Lusa à margem de uma cerimónia pública em Bissau.

 
De acordo com José Ramos-Horta "há muitos e bons" candidatos, mas recomenda que a escolha recaia sobre alguém "com muito conhecimento da Guiné-Bissau".

O ex-presidente timorense compara a situação àquela que viveu no seu país quando defendeu a escolha do brasileiro Sérgio Vieira de Melo para administrador das Nações Unidas para Timor-Leste.

Na ocasião, recomendou "não apenas um grande técnico e burocrata da ONU, mas alguém com coração, com sentimentos e com solidariedade para com um povo que sofreu muito", referiu.

O novo representante das Nações Unidas no território vai precisar de "entender o povo" e "saber trabalhar com o governo" numa fase crítica de reconstrução do país praticamente a partir do zero.

Sem explicar o que fará a seguir, José Ramos-Horta deixou a ideia de que poderá permanecer ligado a organizações internacionais, no âmbito das quais pretende continuar a ajudar a Guiné-Bissau.

"Impreterivelmente, parto em finais de junho, mas continuarei ligado à Guiné-Bissau em qualquer qualidade que o secretário-geral [da ONU] decidir ou que o meu país determinar, porque Timor-Leste vai assumir a presidência da Comunidade de Países de Língua Portuguesa [CPLP]" e a nação guineense "é uma questão prioritária", referiu.

Para Ramos-Horta, "a CPLP tem um papel importante a desempenhar na estabilização da Guiné-Bissau, mas sempre em parceria com quem de direito, CEDEAO [Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental], União Africana e União Europeia".

Desta forma, "ou em nome do secretário-geral [da ONU] noutras funções ou enquanto timorense mandatado pelo meu país, continuarei a ajudar” a Guiné-Bissau.

José Ramos-Horta quer cumprir alguns projetos o país, tais como "levar painéis solares para algumas tabancas, e desenvolver o microcrédito para as ‘bideiras'", nome pelo qual são conhecidas as vendedoras de rua.

Ex-Presidente de Timor-Leste e Prémio Nobel da Paz, José Ramos-Horta foi nomeado a 01 de janeiro de 2013 pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, seu representante para a Guiné-Bissau, onde chegou a 13 de fevereiro do último ano.

Substituiu o ruandês Joseph Mutaboba na liderança do Gabinete Integrado das Nações Unidas para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau - UNIOGBIS.


UNIOGBIS admite apoiar o Hospital Militar de Bissau

O Representante Especial do Secretário-geral das Nações Unidas na Guiné-Bissau (SRSG), José Ramos-Horta, manteve no início desta semana, uma reunião com responsáveis do Hospital Militar Principal.


No encontro, participaram o Director-Geral daquela unidade de saúde, Quinhim Natot, e o Director-Clínico, Augusto Mendes.

Foi feita uma apresentação das valências neste momento disponíveis deste Hospital, que presta cuidados de saúde, não apenas a membros das Forças Armadas e familiares, mas aos utentes em geral.

O hospital enfrenta neste momento, graves carências, sobretudo ao nível dos recursos humanos, médicos, enfermeiros e outro pessoal especializado. As especialidades médicas são as mais afectadas, caso da oftalmologia, serviço que é assegurado apenas por optometristas. Há também dificuldades em dar resposta aos utentes, nas áreas da neurocirurgia, gastrenterologia e imagiologia. É o caso dos exames de TAC (tomografia axial-computorizada), em que há apenas um técnico a operar os equipamentos.

O Hospital Militar Principal (HMP), não obstante apresentar instalações relativamente modernas e adequadas ao serviço que presta às populações – e cujas obras foram apoiadas pela Republica Popular da China, que também destacou 13 técnicos-, precisa urgentemente de um conjunto de apoios públicos, já que, segundo os seus responsáveis, não recebe qualquer verba do Orçamento Geral do Estado, apesar de estar sob tutela do Ministério da Defesa. Mas como referiu o Director-Clínico, Augusto Mendes, “o importante não é só a estrutura física, mas também os recursos humanos”.

A Direcção do HMP, está contudo a estudar várias medidas para tentar superar carências ao nível dos recursos humanos, tendo inclusivamente mantido contactos com a Embaixada de Cuba, dada a experiência daquele país, no sector da cooperação para a saúde. Admite-se que alguns médicos cubanos possam vir para a Guiné- Bissau desenvolver também programas de formação.

As dificuldades orçamentais que o País enfrenta, afectam também o Sistema Nacional de Saúde da Guiné Bissau.
O financiamento próprio do HMP, está em larga medida dependente das taxas pagas pelos utentes, designadamente, 10 mil francos CFA, para internamentos.

A Administração do Hospital Militar Principal, enfrenta ainda graves dificuldades na aquisição de combustível indispensável para o fornecimento de energia eléctrica que é, para já, assegurado pela ECOMIB, a Missão Militar da CEDEAO destacada para a Guiné-Bissau, e que também presta apoio logístico em diversas vertentes.

A alimentação prestada aos doentes, é outra das grandes dificuldades, embora exista já um projecto que para ser implementado, necessita de um encaixe financeiro de 130 milhões de CFA (cerca de 276 mil USD). Estas verbas destinam-se a equipar a cozinha e à aquisição de bens alimentares.

O Representante Especial do Secretário-Geral da ONU, José Ramos-Horta, disse que fará diligências no sentido de obter apoios para a resolução do problema das refeições aos utentes: “vou fazer o que puder em função da política do novo Governo, através de um pedido formal a quem de direito, a um doador para apoiar a cantina”. Esses parceiros, poderão ser a União Europeia, o Banco Mundial, etc.

Ramos-Horta, considera também que o sector privado nacional podia ajudar neste domínio, como é o caso dos hotéis, onde há sempre alimentos desperdiçados, que podiam ser doados a unidade de saúde mais carenciadas.

O sector privado pode também fornecer sacos de arroz, de farinha e outros alimentos não perecíveis.

O Representante do Secretário-Geral da ONU, no âmbito dos contactos que irá manter, inclui também a Agencia de Cooperação de Timor-Leste, na Guiné-Bissau.


Activistas denunciam terceiro caso de guineenses mortos ou desaparecidos em Angola

O presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), Luís Vaz Martins, disse hoje à agência Lusa que subiu para três o número de casos de guineenses mortos ou desaparecidos em Angola em circunstâncias por apurar.


Mamadu Bobo Baldé, 45 anos, foi detido a 11 de março pelas autoridades angolanas e 12 dias depois encontrado morto na cela de uma esquadra de polícia, adiantou a LGDH com base em informações de familiares.

A vítima era um engenheiro civil guineense que residia com a família em Portugal e fazia prospeção de negócios em Angola, onde as autoridades dizem que a morte foi causada por malária cerebral, acrescentou.

No entanto, a Liga queixa-se de o caso não estar esclarecido e de haver indícios de violação dos direitos humanos.

A situação junta-se à da morte em circunstâncias por explicar de António Maurício Bernardo numa das celas na 23ª esquadra da Polícia Nacional de Angola a 19 de março.

Está igualmente por apurar o desaparecimento desde julho de 2012 da jornalista Ana Pereira, conhecida por Milocas.

Estes dois últimos casos já tinham sido recordados pela LGDH numa carta aberta dirigida a 28 de março ao Procurador-Geral da República (PGR) de Angola e em que o organismo pediu a abertura de "inquéritos urgentes, transparentes e conclusivos" sobre as situações.

"Até hoje não houve reacção", lamentou Luís Vaz Martins.

A sequência de casos pode indiciar "uma espécie de perseguição aos cidadãos guineenses em Angola, eventualmente por parte das autoridades, que fazem as detenções, e outras forças ocultas naquele país", acrescentou.

Face ao cenário, o presidente da LGDH considera que as autoridades deviam assumir "uma posição musculada" para resolver os casos e afastar "qualquer responsabilidade que possa depois ser imputada ao próprio Estado angolano".

Uma "angústia muito grande" enche os dias de Zaida Pereira, residente em Bissau, irmã da jornalista guineense desaparecida há quase dois anos.

"Todas as hipóteses continuam em aberto. Gostávamos de saber como obter informação, qualquer coisa, do lado de Angola" sobre o paradeiro de Ana Pereira, referiu à Lusa.

"É como se se tivesse aberto um buraco e ela tivesse desaparecido", acrescentou Zaida.

A antiga jornalista da Rádio Difusão Nacional e proprietária de um jornal em Bissau é conhecida de Mamadu Candé, presidente do Sindicato dos Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social (Sinjotecs) da Guiné-Bissau, que aponta o dedo ao próprio país.

"Há uma fraca intervenção das autoridades de transição", referiu.

"Quem devia estar mais implicado nisso eram os responsáveis guineenses, mas há lentidão e desinteresse", concluiu.
 (in:LUSA)

Ramos-Horta diz que o seu sucessor deve falar "português ou crioulo"


O representante das Nações Unidas na Guiné-Bissau, José Ramos-Horta, anunciou hoje que vai deixar o cargo no final de junho, data prevista para o final da missão, e defendeu que quem ocupar o lugar deve falar "português ou crioulo".



De acordo com José Ramos-Horta "há muitos e bons" candidatos, mas recomenda que a escolha recaia sobre alguém "com muito conhecimento da Guiné-Bissau".

O ex-presidente timorense compara a situação àquela que viveu no seu país quando defendeu a escolha do brasileiro Sérgio Vieira de Melo para administrador das Nações Unidas para Timor-Leste.

Na ocasião, recomendou "não apenas um grande técnico e burocrata da ONU, mas alguém com coração, com sentimentos e com solidariedade para com um povo que sofreu muito", referiu.

O novo representante das Nações Unidas no território vai precisar de "entender o povo" e "saber trabalhar com o governo" numa fase crítica de reconstrução do país praticamente a partir do zero.

 Sem explicar o que fará a seguir, José Ramos-Horta deixou a ideia de que poderá permanecer ligado a organizações internacionais, no âmbito das quais pretende continuar a ajudar a Guiné-Bissau.

"Impreterivelmente, parto em finais de junho, mas continuarei ligado à Guiné-Bissau em qualquer qualidade que o secretário-geral [da ONU] decidir ou que o meu país determinar, porque Timor-Leste vai assumir a presidência da Comunidade de Países de Língua Portuguesa [CPLP]" e a nação guineense "é uma questão prioritária", referiu.

Para Ramos-Horta, "a CPLP tem um papel importante a desempenhar na estabilização da Guiné-Bissau, mas sempre em parceria com quem de direito, CEDEAO [Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental], União Africana e União Europeia".

Desta forma, "ou em nome do secretário-geral [da ONU] noutras funções ou enquanto timorense mandatado pelo meu país, continuarei a ajudar" a Guiné-Bissau.

José Ramos-Horta quer cumprir alguns projectos o país, tais como "levar painéis solares para algumas tabancas, e desenvolver o microcrédito para as 'bideiras'", nome pelo qual são conhecidas as vendedoras de rua.

Ex-Presidente de Timor-Leste e Prémio Nobel da Paz, José Ramos-Horta foi nomeado a 01 de janeiro de 2013 pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, seu representante para a Guiné-Bissau, onde chegou a 13 de fevereiro do último ano.

Substituiu o ruandês Joseph Mutaboba na liderança do Gabinete Integrado das Nações Unidas para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau - UNIOGBIS.



PUSD - Conferência de Imprensa

O PUSD deu uma Conferência de Imprensa na Quarta-Feira, na sua sede em Bissau, para fazer o balanço da campanha eleitoral, com a presença de vários órgãos de comunicação social, com especial destaque ao nível das rádios. 

 
Julgamos importante fazer aqui um pequeno resumo, pois as notícias que foram surgindo na rádio e nos blogues foram de carácter muito particular, referindo por vezes frases isoladas do seu contexto.

A Presidente do Partido, Carmelita Pires, relatou os resultados da reunião da comissão política do Partido, durante a qual colocou o seu lugar à disposição, reconhecendo que, mal grado todos os esforços desenvolvidos, não conseguiu passar a mensagem para o eleitorado, atendendo aos resultados publicados pela Comissão Nacional de Eleições. Realmente, com excepção da Diáspora (onde sabemos que o PUSD, mesmo estando impedido de concorrer por decisão arbitrária do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, recolheu um número bastante significativo de intenções de voto), os resultados foram decepcionantes a nível interno, onde a visibilidade é um factor essencial junto das massas. E essa visibilidade depende muito da disponibilidade de meios financeiros, que o PUSD, não conseguiria em tempo útil mobilizar.

Faltou o cumprimento da Lei, quanto ao financiamento pelo Estado dos pequenos partidos: pena que nestas eleições, que ficaram externamente conhecidas, por piada, como eleições «Gucci», os responsáveis não se tenham preocupado em garantir as condições mínimas a todos os partidos candidatos, alimentando a diversidade do debate. Durante a campanha, o PUSD deparou-se com fortes limitações em termos de logística e de material de campanha. O resultado não poderia deixar de ser a perpetuação de um bipartidarismo tenso, sem verdadeira alternância democrática, que parece não oferecer qualquer saída ao país. Se a Lei não foi cumprida activamente, também o não foi passivamente, pois, apesar dos avisos feitos pelo PUSD em relação às fontes de financiamento dos partidos maioritários, nada foi feito para fiscalizar eventuais abusos.

A Comissão Política do PUSD, chamada a pronunciar-se, deliberou no entanto, por unanimidade, recusar o pedido de demissão e reconduzir Carmelita Pires à frente dos destinos do Partido, lembrando que há bem pouco tempo o Partido estava esquecido e que, apesar de resultados eleitorais aparentemente pouco favoráveis, se considera bastante positiva a visibilidade obtida para o Partido e respectiva recepção, nos vários meios de comunicação e blogosfera, permitindo antever um futuro promissor, em termos de intervenção na sociedade guineense.

A Presidente do Partido continuou em seguida destacando alguns pontos da campanha eleitoral que considerou positivos, em termos de reflexão. A esse título, lembrou as palavras de ordem do PUSD: Ordem & Organização; Rigor & Responsabilidade, Capacidade & Competência & Consistência. Considerou de forma bastante positiva as suas participações nos vários debates decorridos durante a campanha, afirmando acreditar ter contribuído para a elevação do nível do discurso político (por várias vezes, ao longo da campanha, assistimos a alguns partidos e candidatos retomarem palavras de ordem lançadas pelo PUSD em primeira mão). 
Realçou ainda, como ponto alto da campanha, o apelo à unidade aos partidos minoritários, demonstrando os custos da dispersão dos votos, devido à divisão em círculos eleitorais e ao método de Hondt. Nesse âmbito, Carmelita Pires defendeu a extinção dos círculos eleitorais (que distorcem a proporcionalidade do voto: há votos que valem o dobro de outros), bem como a abolição do método de Hondt, em eleições futuras. Um único círculo eleitoral, como nas presidenciais, e proporcionalidade directa na atribuição de mandatos 1% = 1 deputado, de forma a defender a diversidade de opinião e uma participação partilhada de todos e todas, a todos os níveis da política, para que esta não continue a ser vista como quintal particular, mas verdadeira função colectiva. Defendemos o Direito de Inclusão, em relação às mulheres, aos jovens, meninos e meninas, mais velhos e mais velhas.

Na expectativa da divulgação dos resultados definitivos, que ocorreu à mesma hora, cumpriu à Presidente do Partido dirigir ao seu homólogo do PAIGC felicitações pela vitória conseguida, desejando-lhe que seja capaz de gerar os consensos necessários para conduzir a governação pelos quatros anos que dura o mandato agora conquistado, sem interrupções, a bem da estabilidade e progresso do país.

No entanto, lembrou depois que este reconhecimento da vitória do PAIGC não implica a desistência quanto ao Direito básico que assiste ao PUSD: o de INFORMAÇÃO.

Pelo que Carmelita Pires declinou, entretanto, as afirmações do Presidente da CNE, dando por concluído o processo, sem atender ou se pronunciar sobre as pretensões apresentadas pelo Partido em tempo útil. É lamentável, e desmerecedor do civismo demonstrado pelo povo guineense no processo eleitoral, que este tenha sido conduzido com o nepotismo típico da nossa praça. A nossa campanha, cujo objetivo principal era contribuir para o debate de uma profunda mudança de mentalidades, foi claramente prejudicada por este tipo de limitação quase congénita da nossa democracia. Em futuras eleições, haveremos de nos bater para que a esperança e a confiança no futuro se façam desde o próprio ato eleitoral, para que não restem qualquer dúvidas ou sombras que manchem a sua credibilidade e a legitimidade do governo a que deve dar origem.

Urge um debate urgente, transversal e apartidário, um vasto fórum que congregue os guineenses num debate real para problemas actuais.

Pa lantanda nô terra!