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Joseph Pulitzer

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Em Lisboa: Greve de fome em rede de solidariedade - "Meu filho, meu coração"

Na sequência de um apelo internacional lançado pelo movimento de apoio a Tekbar Haddi, uma mãe saharaui que esteve 36 dias em greve de fome, e no contexto de uma cadeia de solidariedade que envolve já vários países, as cidadãs portuguesas Isabel Lourenço e Helena Brandão irão realizar das 15h00 de dia 1 de julho às 15h00 de dia 2, 24 horas de greve de fome, em frente à Assembleia da República.

Compreendemos que nem todos possam ou queiram fazer 24 horas de greve de fome, mas há muitas outras formas de ajudar: passando por lá para nos dar força e visibilidade à iniciativa, mobilizando as vossas organizações ou movimentos, ajudando na divulgação ou escrevendo missivas solidárias para podermos enviar a Tekbar Haddi…


No passado dia 15 de maio, a cidadã saharaui Tekbar Haddi iniciou uma greve de fome, em Las Palmas, reivindicando que o governo marroquino lhe devolvesse o corpo do seu filho, de forma a poder enterrá-lo condignamente, exigindo também uma autópsia e a investigação dos acontecimentos que levaram à morte do jovem. Tekbar Haddi reiterou que está disposta a morrer se não conseguir recuperar os restos mortais do filho, mas teve que interromper a sua greve de fome uma vez que os seus órgãos vitais estão severamente afectados. Foi na sequência destes acontecimentos que o movimento de solidariedade lançou esta Greve de Fome em cadeia.

Vimos por este meio apelar a todas as organizações, movimentos e pessoas solidárias com o povo saharaui que se unam a esta iniciativa, demonstrando publicamente o seu apoio a Tekbar Haddi, mais um dos muitos rostos vítimas da ocupação ilegal e dos crimes cometidos pelo Reino de Marrocos no Sahara Ocidental. Compreendemos que nem todos possam ou queiram fazer 24 horas de greve de fome, mas há muitas outras formas de ajudar: passando por lá para nos dar força e visibilidade à iniciativa, mobilizando as vossas organizações ou movimentos, ajudando na divulgação ou escrevendo missivas solidárias para podermos enviar a Tekbar Haddi…

O caso Tekbar Haddi e do seu filho Mohamed Haidala

 

A 31 de janeiro de 2015, Mohamed Lamin Haidala, de 21 anos, foi atacado de forma violenta por colonos marroquinos, em El Aiun, capital do Sahara Ocidental ocupado, tendo sido esfaqueado no pescoço. As autoridades marroquinas detiveram Haidala e não lhe foi prestado auxílio médico: o ferimento do pescoço foi cozido por um enfermeiro, sem anestesia, sem que fosse desinfectado; as restantes feridas e lesões não foram tratadas. Passou dois dias na esquadra, no chão, sem cobertores. No dia 2 de fevereiro ainda foi levado de novo ao hospital mas como não recebeu tratamento, acabou por falecer no dia 8 desse mesmo mês.

Os médicos recusaram-se a fornecer qualquer documento escrito à família e Tabkar Haddi assegura que as autoridades marroquinas lhe ofereceram 90.000€ para ficar em silêncio, sem reclamar o corpo do seu filho. A casa da família em El Aaiun permanece cercada pelas autoridades marroquinas, tendo sido alvo de vários ataques e até agora os colonos que agrediram mortalmente Haidala não foram presos. Este acontecimento não é um caso isolado e é consequência directa da grave violação de direitos humanos a que são sujeitos os saharauis residentes nos territórios ocupados.

Apesar das inúmeras resoluções das Nações Unidas, a ocupação ilegal do Sahara Ocidental persiste. É urgente que a comunidade internacional honre definitivamente os compromissos que assumiu com este povo e que sejam implementados os mecanismos necessários (nomeadamente o referendo) para que a sua independência seja alcançada o mais rapidamente possível.

Para isso, é imprescindível que a solidariedade internacional se torne visível e que quebre o silêncio a que está sujeito o povo saharaui. Contamos convosco!

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